No passado as equipes de TI tinham uma postura engessada na divisão de tarefas para elaboração de produtos. Havia, categoricamente, a separação entre desenvolver e implementar.

Esse tipo de metodologia é chamada de Produção em Cascata de Software, e foi desenvolvida por Winston W. Royce, em 1970, sendo um processo composto por fases de análise de requisitos, projeto, implementação, testes, integração e, no fim, a manutenção do software.

Entretanto, com tantas camadas, essa adoção faz com que a elaboração de produtos se torne vagarosa, cheia de formalismos, mais suscetível a erros e, consequentemente, com menores chances de atender a necessidade final do cliente envolvido.

O dinamismo da tecnologia e a necessidade da evolução de estruturas que sejam eficazes, estáveis e atendam às exigências do usuário, fez surgir, em 2009, o modelo DevOps, junção de Desenvolvimento (Development) e Operações( Operations).

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Fonte: Wikipedia

O que é Suporte de DevOps?

Suporte de DevOps é uma prática de engenharia de software que preza por práticas ágeis, eficientes e de alta qualidade, com ciclos menores de desenvolvimento e maiores números de implementação.

Patrick Debois, o criador, propôs essa cultura de construção priorizando a colaboração, integração e comunicação frequente entre desenvolvedores e os profissionais de infraestrutura de tecnologia da informação (TI).

A proposta é eliminar a barreira existente entre o sistema de desenvolvimento e infraestrutura (operações) e habilitá-los para que, juntos, possam responder de forma rápida à criações e adaptações durante o percurso de construção.

A essência do modelo é de um ciclo de melhoria contínuo e completo, que beneficia não só os resultados finais com qualidade, mas todo o caminho até eles.

É importante ressaltar que, técnicas e instrumentos são importantes para esse modelo, mas, acima de tudo, a proposta é cultural, de compartilhamento de conhecimento e cooperação entre as equipes.

Quais são as vantagens do DevOps?

Com o DevOps, a conjugação das duas áreas, desenvolvimento e infraestrutura, podem trabalhar de forma mais assertiva, pois, enquanto um braço planeja as funcionalidades, o outro se foca na estabilidade para aplicação. Tudo isso em constante comunicação, parceria, passos automatizados e transparência.

O alicerce é um trabalho conjunto entre planejamento, manutenção e implementação do software, com a finalidade de gerar maior fluência aos processos, focando principalmente em melhorias na produtividade e na vantagem competitiva para as empresas.

Apesar da introdução dessa tendência ser algo profundo, que envolve a cultura organizacional de desenvolvimento, sua adoção com base tecnológica pode ser um diferencial, por englobar qualificações atrativas tanto para quem trabalha como para quem recebe o produto.

Resumidamente, os ganhos estão diretamente ligados ao propósito de gerar eficiência aos métodos e, consequentemente, para o cliente.

Assim sendo, a busca dessa metodologia é por velocidade, qualidade, redução de custos e otimização do tempo decorrente dos processos de abertura, automação, ciclos constantes de implementações, segurança, convergência e escalabilidade no desenvolvimento.

A aplicação do DevOps, para construir um software, contém os caminhos mais indicados para evitar os riscos de um produto final ineficiente que não gere benefícios eficazes ao usuário final.

Abaixo tem-se um pouco mais sobre as vantagens dessa postura e como cada uma pode auxiliar, quando se almeja resultados consistentes e econômicos positivos, na criação de um programa:

1. Constante parceria e comunicação

DevOps enfatiza a comunicação contínua como algo primordial, seja ela entre equipe de trabalho ou equipe e cliente. Toda a equipe se mantém voltada para o mesmo objetivo e, a partir disso, atua da forma mais colaborativa possível.

Essa atitude reforça a ideia de parceria e permite a facilidade de respostas internas que auxiliam essencialmente na fluidez e agilidade do projeto.

Para o cliente a relação comunicativa ajuda a expor suas dores, demandas específicas e problemas de mercado, possibilitando que, ao conhecer tais necessidades, a equipe passe a desenvolver um produto que, possivelmente, será ainda mais satisfatório.

Logo, a transparência é a base e peça principal para o planejamento de uma solução, seja de modo interno ou no contato com o cliente, que passa a ter um produto desenvolvido de forma mais confiável.

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2. Entregas e Testes Contínuos

As entregas de pequenas fatias de software, nesse tipo de cultura, são feitas de forma constante, dando continuidade a integração da equipe. Ao longo do processo, são lançadas atualizações individuais para que todos acompanhem e trabalhem a partir dela.

Esse tipo de prática otimiza o tempo, reduz riscos de erros e reforça a quantidade de feedbacks internos, impulsionando a cooperação. O objetivo é estabelecer um monitoramento e garantir o prosseguimento correto do projeto, com rapidez na identificação de erros e diminuição da complexidade futura na hora de implementação.

De modo consequente, para receber tais remessas de entregas contínuas, há todo um ambiente de testes e controle de qualidade que verifica os resultados de forma igualmente continuada do início ao fim. Essa etapa valoriza o tempo do grupo, porque é possível prever possíveis falhas antecipadamente e solucioná-las.

Um ponto imprescindível, para que tal agilidade e qualidade aconteça nesses estágios, é a automação. Ela faz com que o andamento do desenvolvimento e correção seja feito de forma automática e transparente, porque toda equipe toma conhecimento do que está sendo elaborado.

A regra é testar e dar parecer sobre todos os comandos que se deseja implementar para uma validação segura. Essa forma de dedicação facilita o monitoramento e apoia-se fundamentalmente na meta de diminuição de erros e produção com qualidade.

3. Automação e Segurança

Como dito anteriormente, construir de forma automatizada é um dos apoios essenciais. Essencial porque a construção engloba a criação de ferramentas em códigos e utilização de nuvens, que estão diretamente ligadas a garantia de maior segurança do produto e eficiência, devido a possibilidade de escalabilidade e rapidez.

Além dos códigos que geram o software, toda a equipe de desenvolvimento e implementação trabalham, desde o início, com técnicas baseadas na codificação, que podem acompanhar um padrão, serem atualizadas e implantadas a qualquer momento.

A infraestrutura como código garante um sistema de criação imune de qualquer ameaça, porque desenvolvedores têm comunicação codificada com a infraestrutura. Na prática, incorporar códigos para o diálogo entre os dois setores possibilita gerenciamento por toda equipe, com flexibilidade no acompanhamento.

Exclusivamente na formação do software, em outros métodos de desenvolvimento, a proteção dos códigos que o compõe era realizada no fim do projeto, no momento de implementação.

Com o DevOps isso não ocorre, a automação, principalmente dos testes de segurança, permite a garantia da segurança durante toda a trajetória de criação e manutenção, tanto para equipe, quanto para o cliente.

Os ganhos são de um produto mais robusto, e com menores chances de ser afetado.

4. Escalabilidade

Ser escalável é um ponto importante para construção de um software, pela sua capacidade de replicabilidade e satisfação do usuário. É uma característica que permite atender as demandas presentes e futuras, sem perda de qualidade no decorrer da construção.

Na metodologia DevOps, a escalabilidade guia os colaboradores para que as atividades desenvolvidas colaborarem para satisfazer tal qualidade.

A construção de um sistema que seja escalar requer de toda equipe um monitoramento contínuo, com entregas que permitam o crescimento do produto até a implementação de uma base segura que possa ser manipulada e/ou expandida sem prejuízos.

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5. Padronização

Um projeto realizado com a adoção dessa cultura faz com que a padronização seja uma ferramenta determinante para prosseguir com os objetivos e metas.

Não seria eficiente que cada setor ou colaborador seguisse suas próprias normas desconsiderando as atividades dos demais. Por isso, a forma de trabalho integrada, com entregas e testes contínuos, necessita de um sistema que seja padronizado para que todo o time caminhe alinhado.

A normalização do ambiente DevOps contribui para unificar as demonstrações de resultados ou trâmites do processo. As ferramentas em nuvens, codificadas ou públicas, são utilizadas para atender a esse atributo e garantir que haja maior orientação aos dois setores, desenvolvimento e operações, com acesso as mesmas técnicas de comunicação, monitoramento, protocolos e documentos.

Além de favorecer o trabalho em conjunto e evitar burocracias, esses instrumentos podem ser opções para acompanhamento de métricas e metas para avaliação do desempenho.

6. Otimização do tempo e Redução de Custos

Com o foco em ser ágil e eficiente, otimizar o tempo de trabalho e reduzir gastos para elaboração são fatores cruciais, interligados e atrativos para qualquer empresa.

A eficiência de um produto é resultado de uma combinação de capacidades que exigem o mínimo de dispêndios e que em junção contribuem para uma formação bem sucedida e funcionamento eficaz. Inclui conter o desperdício da capacidade de trabalho e de materiais (ferramentas).

Para um software atender a isso é necessário que todo trabalho elaborado e implantado pela equipe tenha sido proveitoso, de modo que todos tenham se beneficiado dos melhores caminhos de aperfeiçoamento possíveis.

A começar pela prática da integração da equipe com um propósito comum, somando às ferramentas tecnológicas seguras e adequadas para colocar em prática desenvolvimento e aplicação, a metodologia DevOps garante a potencialização e melhorias gradativas na criação.

Como, por exemplo, para adoção de teste contínuos. Há um estudo de Michael Ernst,engenheiro e cientista da computação, e David Saff, engenheiro de software, que comprova que esse tipo aplicação reduz em mais de 15% o prazo de desenvolvimento de um software.

Essa informação, para um projeto onde o tempo é um aliado para qualidade, influencia a postura de otimiza-lo para obter chances de aprimorar outras demandas do cliente e amadurecer ideias úteis.

Assim sendo, utilizar-se desses meios, com aproveitamento da capacidade já instalada, contribui para um fluxo de trabalho melhor e para a produtividade de todos, sem a necessidade de grandes investimentos no médio e no curto prazo.

Como adotar?

Para quem deseja adotar a metodologia DevOps é necessário, além do estudo profundo sobre suas teorias, atentar-se na prática para montagem de uma equipe engajada em inovação, qualificada para trabalho em grupo e com mentalidade colaborativa.

Não menos importante, um olhar cuidadoso sobre qual será a gerência, garante que o ritmo de integração seja permanente e que o acompanhamento da evolução exista.

Para começar, as ferramentas mais indicadas pela sua capacidade de adaptação aos processos iniciais, são duas: Scrum e Kanban. Scrum é benéfico, para gestão e planejamento do produto em questão.

Já o Kanban, é um instrumento de acompanhamento de produção que expõe os estágios atuais da construção, além de favorecer a supervisão de progressos individuais e coletivos.

Uma boa notícia é de que a agilidade da prática de DevOps, para resultados de qualidade, pode ser considerada não só no setor de soluções digitais como também na área industrial, com garantia de ganhos na produção. Sua cultura de implementação segue os mesmo moldes da área de desenvolvimento de software, porém, com foco na produção fabril.

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Conclusão

Um dos desafios enfrentados pelas equipes de programação, atualmente, é o mercado em ascensão, com crescente competitividade e exigência de sistemas que sejam eficientes, seguros, gerem valor e possam ser implantados rapidamente.

Entretanto, tomar a iniciativa de aplicar uma nova formulação de software, de início, pode trazer receios. Mas, o suporte de DevOps e suas vantagens veio para mostrar que a inovação na metodologia pode trazer avanços transformadores nos resultados, gerar valor e, além disso, concretizar a demanda de inovação rápida das empresas no mercado em seus diferentes aspectos.

O conflito antigo que não beneficiava a volatilidade das tendências tecnológicas, entre desenvolvedores e time de implementação, foi resolvido com uma nova forma de transformação digital e cultura de convergência.

Ressaltando que o essencial é o alinhamento comportamental entre métodos e instrumentos, pois, um time pode ser eficaz em um ou nos dois meios, no entanto, se o grupo não souber agir para gerar eficiência possuí-los será em vão.

Desse modo, a vantagem competitiva no conjunto de ações está contida, por exemplo, em uma atualização ágil de software ou aplicativo, que qualifica a experiência do usuário transformando-a em uma característica de valoração para a empresa.

Trazer essa postura para acrescentar em uma empresa só beneficia aos resultados mais buscados no mercado: econômicos, de produtividade e crença na inovação para expansão. A cultura ágil de suporte DevOps compreende as necessidades, potencializa o trabalho e põe em prática de forma cooperativa e automatizada.

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Maria Elisia Veiga

Sales Development Representative na GoBacklog, uma empresa especializada no desenvolvimento de soluções tecnológicas que vem mudando a forma de se criar negócios digitais de sucesso. Acadêmica de Economia na UFJF/GV.