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É isso que faz valer a pena! Este é o objetivo de tanta luta e de todos os desafios enfrentados. Poder ouvir que você fez a diferença na vida de alguém é muito especial, muito bom!

Fale um pouco sobre você e sua trajetória profissional

Bem, este ano eu estou fazendo 25 anos de formada. Me formei em Ciências da Computação, na Universidade Federal de Uberlândia em 1994. Trabalhei um tempo no mercado corporativo, e depois migrei para a área acadêmica.

Foi no ramo da educação que eu me encontrei como profissional, neste processo de transferência de conhecimento, de acompanhamento dos alunos e de perceber que você pode fazer parte da trajetória deles. Estou na área acadêmica desde 2004, ou seja, um tempo bem longo, desde a minha formação.

Você se formou em 1994, antes da grande ascensão da Internet, nos anos 2000. Quais são as principais diferenças que você observa no cenário da tecnologia, antes e agora?

Eu costumo dizer que a tecnologia antes estava inserida em um processo mais denso e mais lento. Até mesmo na formação dos profissionais dessa área existiam diferenças, como na matriz curricular do curso. As empresas também usavam a tecnologia de forma diferente.

Depois da ascensão da Internet e dessa corrida de Inovação que temos hoje, podemos perceber uma aceleração no desenvolvimento da tecnologia. O profissional precisa acompanhar esse processo e se atualizar mais rápido.

Então, antes era um processo mais denso e lento, e hoje a densidade permanece, mas em um processo muito mais rápido de transformação. O profissional que tem dificuldade de acompanhar esse movimento vai encontrar dificuldades para se estabelecer no mercado de trabalho.

Você tem projetos que visam propor e fomentar ideias de inovação e tecnologia em seus alunos no meio acadêmico, como o projeto NUVEM. Qual é o principal desafio em incentivar a inovação para estes alunos?

O que vemos, enquanto professores, é que existem muitos alunos com um grande potencial, mas que não conseguem se enxergar. Pensando nisso, nós vislumbramos um espaço, o Núcleo Universitário de Empreendedorismo (NUVEM), que auxilia esses estudantes no desenvolvimento de suas propostas e ideias.

É muito bom poder acompanhá-los, vislumbrando levar um projeto de autoria própria para o mercado. Ver o produto deles sendo validado, e também recebendo um feedback que sinaliza algumas modificações, é muito bom.

Nós fazemos todo esse acompanhamento para mostrar aos alunos que as ideias que eles criam dentro da universidade, às vezes dentro de uma determinada disciplina, podem se tornar o seu futuro profissional, um empreendimento.

Então, a ideia principal é trabalhar a percepção do aluno dentro de uma pegada empreendedora, trazendo esse processo de Inovação para dentro dos projetos desenvolvidos.

A quantidade de pessoas que querem adentrar no ramo da tecnologia está cada vez menor. O número de vagas são preenchidos, e a demanda de mercado muitas vezes não é suprida. Como você avalia este cenário e o que poderia ser feito para mudá-lo?

Neste tempo todo de experiência nessa área, eu tenho visto picos de aumento e de queda pela procura dos cursos de tecnologia, mas, atualmente, a queda tem se acentuado.

No cenário atual, a demanda de mercado está maior do que a de formação de alunos. Ou seja, não estamos conseguindo atender todas as vagas de trabalho na área de tecnologia que estão abertas.

Em contrapartida, as universidades, muitas vezes, não conseguem preencher todas as vagas abertas em seus cursos voltados para essa área. Então, eu acredito, que ainda vamos passar por um período de déficit, até que seja inserido dentro da educação básica conteúdos que explorem a Cultura Maker, desafios de robótica, de lógica computacional e assuntos relacionados.

Eu tenho esperança que com a transformação da educação básica nós conseguiremos aumentar a demanda pela procura da área da tecnologia. Caso essa mudança não aconteça, não acompanharemos o crescimento acelerado do mercado, como ele está atualmente.

Agora você está indo para o Vale do Silício, que é o maior polo de inovação e tecnologia a nível internacional. Qual o ponto de partida para essa viagem e o que você espera dela?

Bem, a minha viagem para o Vale do Silício é uma busca por crescimento profissional e pessoal. Quero conhecer um pouco do que eles fazem, como se dá esse processo de inovação e o por quê daquela região ter se transformado em um modelo para o mundo inteiro.

Nos meus estudos, eu percebi que, naquela região, existe uma grande influência da Universidade de Stanford, e eu acredito que para termos um desenvolvimento de um ecossistema de inovação forte, é necessário que ele tenha um vínculo com a academia.

A viagem ao Vale do Silício é uma busca para compreender como é este vínculo com a Universidade e como as empresas se comunicam com ela. Quero poder entender o que a academia faz de diferente com seus parceiros e alunos para desenvolver essa região da forma que se desenvolveu, e descobrir o que nós podemos trazer de lá.

Então, eu espero poder trazer aprendizados que podem ser inseridos no meio acadêmico aqui e que irão ajudar a desenvolver o ecossistema de inovação em Governador Valadares. Pois esta é a minha busca, crescimento e compreensão das interações que existem naquela região, para tentarmos modificar o nosso cenário.

Diversas empresas surgiram do ambiente universitário. Você, como agente de inovação regional, também está inserida neste meio. Qual é a sensação de saber que você é uma das responsáveis por potencializar e gerar ideias inovadoras em seus alunos que podem, a longo prazo, ser referência em sua área de atuação?

Eu estou há muito tempo na área acadêmica, e tive a oportunidade de acompanhar várias turmas e alunos, e o que nós criamos com este contato é uma grande relação de carinho e de amizade. Eu costumo brincar que uma vez meus, sempre meus.

É muito gratificante poder acompanhar o crescimento dos alunos e saber quais rumos a vida deles tomou. Alguns inovam, outros se realizam profissionalmente trabalhando em alguma empresa, e existem aqueles que acabam por se encontrarem em outras áreas, e não a de tecnologia.

Eu sinto muito orgulho de poder ver o crescimento de todos aqueles profissionais que eu tive a chance de acompanhar e de fazer parte da trajetória acadêmica. Isso é muito gratificante.

Rossana sempre foi uma agente de inovação. Prova disso, são pessoas que, incentivadas por ela, hoje atuam em empreendimentos que também visam inovar. Sem que ela soubesse, exibimos o depoimento de um de seus ex-alunos, Daniel Antunes. Hoje, Daniel é CEO da GoBacklog.

“Então, Rossana, para podermos fechar essa série, Mulheres Inovadoras, que a GoBacklog criou, eu queria vir aqui para poder agradecer a oportunidade de ter começado a estudar junto com você. Desde o meu ingresso na faculdade, em 2006, até o ano da minha formatura em Sistemas de Informação, em 2009.

Obrigado por todo o incentivo que você deu a mim e a todas as pessoas da área de tecnologia. Agradeço a todas as palestras e conteúdos que tive contato através de você, por todos os convites que você já me fez para palestrar em eventos, minicursos e workshops.

Obrigado por essa vontade de sempre estar levando e trazendo inovação para a nossa área, e todos os outros segmentos, principalmente em nossa região, que necessita de um pouco mais dessas iniciativas.

Você é realmente uma grande agente de inovação que temos em nossa região, e eu queria te agradecer por todo incentivo que você nos dá e, por cada vez mais, nos ajudar a alçar voos maiores.”


É isso que faz valer a pena! Este é o objetivo de tanta luta e de todos os desafios enfrentados: poder ouvir que você fez a diferença na vida de alguém é muito especial, muito bom!

Dever cumprido?

Dever cumprido, mas com muita tarefa ainda pela frente. Muitos desafios para serem derrubados e vencidos e muita gente para poder fazer a diferença neste mundo. Acho que essa é a minha missão, ajudar meus alunos a irem além do que eles acham que podem.

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Ana Antunes

Especialista de Marketing na GoBacklog, uma empresa especializada no desenvolvimento de soluções digitais que vem mudando a forma de se criar negócios digitais de sucesso. Estudante de Economia na UFJF, apaixonada por inovação e tecnologia.
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