• A aplicação de tecnologia e transformação digital no varejo vai muito além do e-commerce, muitas áreas ligadas ao setor estão sendo exploradas.
  • As tecnologias desenvolvidas pelas Retail Techs no varejo atuam em pontos de vendas físicos e online, muitas vezes visando a integração entre eles.
  • As empresas têm que se adaptar cada vez mais aos novos consumidores, e aos novos hábitos de consumo, buscando maior comodidade aos clientes.

O surgimento de novas tecnologias mudou todos setores, mas nenhum outro foi tão impactado quanto o de varejo ou, pelo menos, em nenhum setor é tão visível essas mudanças, uma vez que o setor varejista é o que mais entra em contato direto com o público.

Em uma pesquisa realizada pela InfoVarejo, quase 80% dos varejistas colocam como prioridade aumentar suas vendas. Essa necessidade aliada a tecnologia, faz surgir várias alternativas que auxiliam as empresas a estimularem o desejo dos consumidores.

Contudo, as Retail Tech vão muito além, e as soluções apresentadas por elas beneficiam a experiência de consumo, tanto no varejo online quanto no físico.

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O que é Retail Tech?

Ao contrário do que muitos pensam, a tecnologia no varejo vai muito além das lojas online. A proposta das Retail Tech visa beneficiar tanto o varejo online como o físico, proporcionando melhoras para o consumidor moderno, tornando os processos mais ágeis e mudando a forma que as empresas se relacionam com o consumidor.

RetailTech Como a Tecnologia está Transformando o Varejo- O que é retailtech

Panorama de mercado global

Quando falamos em tecnologia, inovação e transformação digital no varejo, logo pensamos no e-commerce, que, de certa forma, é umas das tecnologias pioneiras neste setor. Porém, a proposta das Retail Techs vão muito além, e as soluções apresentadas beneficiam tanto o varejo online quanto o físico.

As empresas de tecnologia no varejo estão tentando revolucionar a forma como os consumidores escolhem e compram seus produtos e serviços. E estão criando serviços totalmente novos para se adaptarem às novas preferências que vêm surgindo.

Segundo o monitoramento da Venture Scanner, atualmente, essas startups se dividem em mais de 21 categorias dentro de 64 países, e contam com mais de 1,906 empresas existentes em todo o mundo.

Como você pode ver, os financiamentos feitos na tecnologia de varejo mostrou um crescimento consistente de 2015 a 2019, culminando em um pico de US $ 22 bilhões. Juntos, eles somam, ao longo de dez anos, mais de 91 bilhões de dólares em investimento.

RetailTech Como a Tecnologia está Transformando o Varejo- Panorama de mercado global

Características do mercado brasileiro

Segundo o Índice de Performance do Varejo (IPV), em dezembro de 2019 o fluxo de clientes em shoppings avançou 17,8% sobre novembro, enquanto nas lojas físicas a alta foi de 15,83% em dezembro e de 35,88% no mês anterior. Com isso, o setor fechou o ano completando três meses seguidos de elevação no fluxo de clientes na comparação com 2018.

Apesar dos números positivos, o varejo online brasileiro sofreu uma perda de pelo menos, R$ 132,05 milhões em apenas quatro dias em 2019, de acordo com um estudo realizado pela Sofist, depois de acompanhar o desempenho dos e-commerces durante a Black Friday.

Das empresas monitoradas pela pesquisa, 86% impediram em algum momento que seu consumidor tivesse acesso ao seu e commerce, causados principalmente por problemas técnicos.

Isso mostra, que o Brasil ainda sofre com a falta de infraestrutura em tecnologia na maioria das empresas, e essa é a grande aposta das Retail Techs para o mercado. Em um report realizado pela Distrito foram mapeados, no ano de 2019, mais de 269 startups relacionadas ao varejo.

Em uma entrevista, Eduardo Terra, presidente da SBVC ( Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo), disse que:

O varejo continua tendo um desafio grande de melhorar seu nível de eficiência e produtividade, que é algo bem brasileiro. Em termos globais, existe o desafio da transformação digital, que diversos segmentos têm passado, e o do varejo especialmente – e isso envolve e-commerce, loja digitalizada, tecnologias e uso de mais dados.

Com muitos desafios ainda enfrentados pelo setor e novas tendências tecnológicas, essas novas startups precisam aproveitar o momento de oportunidades.

Principais tendências

De acordo com o estudo realizado pela Distrito, existem algumas principais tendências que podem se tornar as mais promissoras do mercado. Com elas, podemos observar como o varejo está se moldando a tecnologia e o impacto que as Retail Tech estão causando. Veja mais sobre cada uma delas:

Inteligência Artificial

Com a automação que a IA proporciona, todos os processos se tornam mais rápidos e precisos. Entre todos os benefícios, podemos citar a redução de custos com armazenamento e a tomada de decisões mais precisas, uma vez que elas são analisadas e processadas através de dados.

Além de trazer melhorias no atendimento ao cliente, através dos assistentes sociais, e também no entendimento do comportamento do consumidor. A IA faz com que máquinas e softwares aprendam o comportamento do cliente a partir do reconhecimento de padrões do histórico de compras

Um dos maiores exemplos de como a IA pode ser aplicada é pelos chatbots, a Magazine Luiza criou uma assistente virtual, que faz muito sucesso nas mídias da empresa e nas redes sociais, por conta da sua interação com clientes que se torna cada vez mais humana.

Além disso, a IA também pode ser implementada no varejo físico, o Walmart usa, desde 2017, robôs programados com IA para fazer escaneamento de prateleiras, checagem de inventário e recolocação de produtos que ficam espalhados pelos corredores.

Meios de pagamentos

O mobile payment, ou pagamento por aplicativo, é a modalidade mais promissoras dos meios de pagamento no varejo. Por meio dele, o cliente não precisar usar cartão ou dinheiro para pagar, basta aproximar o celular da máquina e o pagamento se realiza.

A China é um dos maiores países quando tratamos de comércio eletrônico, sendo responsável por, aproximadamente, 40% das transações e-commerce do mundo. Sendo assim, ela possui uma grande força em pagamentos móveis, com 11 vezes mais transações que os Estados Unidos.

Um dos maiores exemplos dessa praticidade é a Amazon Go, um supermercado tecnológico criado pela Amazon que não possui funcionários. O cliente entra, pega o produto na prateleira e vai embora. A conta é enviada automaticamente para a conta do cartão de crédito cadastrado anteriormente pelo consumidor.

Engajamento do consumidor

Segundo a Gartner, até este ano, mais de 95% das interações com clientes serão realizadas sem a presença de um humano, por isso, umas das maneiras mais utilizadas para engajar os consumidores estão sendo feitas através da tecnologia. Como por exemplo, o atendimento automatizado, onde podemos observar um ganho de eficiência e agilidade.

Uma das maiores tendências para engajar os consumidores é o atendimento personalizado, e ele pode ser trabalhado de diversas maneiras, através de tecnologias como a RA e a RV, tecnologias wearable e os chatbots.

Um exemplo, é o Fitting You, desenvolvido por uma startup de tecnologia, um espelho inteligente para provadores de roupas e acessórios que conta com tela touch screen integrada com hardware e software próprios, onde o cliente pode fazer o ajuste da iluminação do espelho para simular cenários diferentes.

Ele também permite a captação de dados estatísticos e possibilita que o cliente confira uma série de informações durante o seu processo de compra. Produtos como esse, podem se tornar cada vez mais comuns, pois garantem uma experiência única para cada cliente.

Sustentabilidade

Um estudo realizado pela First Insight, aponta que a maioria dos consumidores esperam que as marcas ajam com mais consciência ambiental em suas produções. O que pode ser positivo para empresas como a Natura Cosméticos, que hoje é reconhecida como a 15° empresa mais sustentável do mundo.

Segundo Marcelo Cardoso, vice-presidente de desenvolvimento organizacional e sustentabilidade da Natura:

Colocar a sustentabilidade no centro da estratégia do negócio não só ‘pega bem’ diante dos consumidores, como também gera lucro.

Uma outra opção de consumo sustentável, são as empresas conhecidas como Recommerce, que é a compra e venda de produtos de segunda mão. Apesar de já existirem empresas consolidadas no mercado, como o Mercado livre e a OLX, ainda é uma tendência.

Segundo um relatório feito pela ThredUP, 64% das mulheres estão dispostas a usar e comprar roupas usadas. Além de que, 59% dos consumidores esperam que as empresas varejistas trabalhem de forma sustentável.

Em 2009, foi fundada a empresa Enjoei, um site e aplicativo destinado a pessoas que querem desapegar de roupas, sapatos, acessórios e, até mesmo, utensílios domésticos que não usam mais, mas que podem servir para outra pessoa.

Hoje o Enjoei é um empresa de sucesso, impulsionada principalmente pelas novas gerações, que são mais conscientes nos seus hábitos de compra, e pelas novas conexões trazidas pela internet.

Internet das Coisas

A Internet das Coisas é uma tecnologia que conecta objetos comuns da nossa rotina à internet. No geral, ela permite que os dispositivos conectados se comuniquem, analisem e compartilhem dados por meio da rede ou de plataformas de software baseados em nuvem.

No caso do varejo, esses objetos podem incluir chips que fazem o controle do estoque dos produtos, sistemas de rastreamento celular e Wi-Fi, sinalização digital ou mesmo o dispositivo móvel de um cliente, uma vez que os consumidores estão cada vez mais conectados.

Uma empresa americana, chamada Avery Dennison, criou etiquetas inteligentes, que integram informações e viabiliza a IoT, conectando os produtos aos consumidores.

Robert Pernice, diretor global da iniciativa na empresa, afirma que essas mudanças estão transformando a área em que atua, trazendo soluções para alguns desafios do setor:

A personalização e o número de cores disponíveis crescem na taxa de 5% ao ano. Esse fenômeno está aumentando ainda mais o desafio de gerenciar bem os estoques, além de dar a possibilidade ao consumidor de comprar em qualquer canal com uma experiência sem barreiras.

As etiquetas inteligentes permitem rastrear os produtos com um alto grau de eficiência. Assim, elimina um problema antigo que os lojistas enfrentam, o sistema indicar que ainda existem algumas poucas unidades disponíveis de determinado produto no estoque quando, na verdade, não há mais nenhum, e vice versa.

Operações

Lojas como Amaro, que viram sempre a necessidade de possibilitar aos clientes uma compra integrada entre o digital e o físico, se tornam cada vez mais comuns, e as grandes redes varejistas, como a Renner, Riachuelo e Zara, já seguem este mesmo caminho.

Gerir uma operação de varejo no Brasil não é desafio para qualquer um. Além dos diversos desafios fiscais, tributários e jurídicos, o consumidor informado e digitalizado, exige cada vez mais experiências incluídas nas etapas de consumo, a fim de tornar mais rápido e cômodo esse processo.

A tecnologia, além de ter mudado a forma de consumo das pessoas, é uma grande aliada das empresas para oferecer, cada vez mais, uma experiência de compra eficaz, independente dos canais que o consumidor interage, seja o físico ou online.

Uma das grandes tendências do mercado, é a estratégia omnichannel, que se baseia no uso simultâneo e interligado de diferentes canais de comunicação, com o objetivo de estreitar a relação entre online e offline, aprimorando, assim, a experiência do cliente. Hoje, 75% das empresas americanas declaram já ter implementado o serviço.

Um bom exemplo de omnichannel é o implementado pela Centauro, tendo como uma das estratégias o oferecimento da troca de produtos nas lojas físicas. Além disso, eles sempre oferecem um cupom de 10% de desconto para o cliente que vai até a loja retirar o pedido feito pelo site.

RetailTech Como a Tecnologia está Transformando o Varejo- Operações

Ambientes virtuais

Os ambientes virtuais são possíveis através da Realidade Virtual e da Realidade Aumentada. A primeira, permite a vivência de um ambiente virtual através dos óculos de RV, e permitem, por exemplo, que os clientes possam andar através de um supermercado virtual, ou compre roupas experimentando o estoque em alguns minutos.

A iGUi, uma das principais empresas que fabrica e vende piscinas no mundo, trouxe, como uma nova aposta, a realidade virtual para o seu negócio. Visando otimizar o processo de escolha do cliente sobre qual piscina escolher, é possível utilizar um óculos de RV para simular todo o projeto, ainda no processo de venda.

A Realidade Aumentada consiste na inserção de objetos virtuais no ambiente físico. Na compra de um móvel, por exemplo, a tecnologia permite que o cliente veja como o produto vai ficar em sua casa antes mesmo de ir até a loja.

A empresa brasileira Coral, lançou um aplicativo de realidade aumentada, o cliente seleciona uma área desejada, e consegue visualizar o resultado em tempo real, conforme se movimenta pelo espaço. A ferramenta conta com um detector de móveis e objetos, para que somente as paredes sejam preenchidas com a cor.

Logística

Com o avanço da tecnologia, a logística no varejo está passando por várias mudanças. Antes, as situações que costumavam ser complexas e que as empresas tinham pouco controle, estão muito mais fáceis de serem controladas e geridas.

O investimento em logística de varejo pode contemplar várias etapas de um procedimento, sendo capaz de contribuir com processos de controle de entradas e saídas, gestão de estoque, gestão da entrada e saída de produtos e cadastramento de clientes e opções de pagamento.

Em uma pesquisa realizada pelo Grupo GS& Gouvêa de Souza, para avaliar quais são as principais prioridades no varejo se tratando de tecnologia, as soluções em logística são vistas como uma das mais essenciais, cerca de 49%, e é a que possui a maior taxa de aplicabilidade no setor.

A Via Varejo, por exemplo, holding das Casas Bahia e Ponto Frio, é uma empresa que conseguiu, por meio de novas tecnologias, equilibrar a quantidade adequada de produtos nas lojas.

Foi utilizado a metodologia de DPR, Planejamento de Distribuição, reduzindo em 30% a falta de produtos nas lojas, assim como os itens comercializados via e-commerce.

E-commerce

Você já deve ter reparado no grande número de pessoas que compram pela internet, visando, principalmente, agilidade nas compras, comodidade e melhores preços.

Recentemente, um relatório realizado pelo NZN Intelligence, mostrou que 74% dos consumidores brasileiros preferem consumir online em relação às lojas físicas.

Como citado em uma matéria da Forbes, o e-commerce se torna cada vez mais a menina dos olhos das grandes varejistas no Brasil. Isso é devido, apesar da instabilidade econômica no Brasil, do e-commerce ter crescido 22,7% em 2019 no país, faturando R$ 75,1 bilhões, em relação a 2018, segundo o relatório NeoTrust 2ª edição.

Hoje, considerada o maior e-commerce do mundo, a Amazon, é um bom exemplo de empresa que se transformou quando entrou no mundo digital, apostando principalmente no seu serviço de logística. Em uma lista, criada pela Forbes, das maiores empresas do mundo em 2019, a Amazon ocupa o 4° lugar, ficando atrás somente de empresas de tecnologia.

Isso mostra como o varejo vem dominando o mercado. Além disso, o exemplo da Amazon serve como um ensinamento de como as empresas varejistas devem sempre se reinventarem para manterem alinhadas ao mercado ou a um passo à frente.

Conclusão

As empresas que não se adaptarem às novas tecnologias no varejo, perdem seu diferencial competitivo, que atualmente está justamente em quem utiliza, da melhor forma, essas tecnologias em prol da experiência do cliente. Estas passaram a ser as estratégias prioritárias para negócios de varejo.

Embora ninguém possa prever o que irá acontecer nos próximos anos, é possível ter uma ideia das novas tendências e tecnologias que a Retail Tech devem trazer para o mercado.

Então basta estar sempre atento às novidades que surgem no mercado, ao feedback dos clientes, e buscar sempre colocar a inovação como base nos processos de sua empresa.

Links para Leitura

Eduarda Terra

Formada em Economia pela Universidade Federal de Juiz de Fora - Campus Governador Valadares. Apaixonada por tecnologia, empreendedorismo digital e Inovação.