Analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) reduziram pela 17ª vez consecutiva a previsão para a economia brasileira neste ano. Em vez de uma retração de 6,25%, o mercado agora prevê um recuo de 6,48% no Produto Interno Bruto (PIB) do país em meio à pandemia do novo coronavírus. 

Antes da chegada da pandemia ao Brasil, o mercado estimava um crescimento de 2,3% do PIB. Ainda segundo os economistas ouvidos pelo BC, a projeção para a inflação para este ano caiu de 1,55% para 1,53%. Já para a Selic, a taxa básica de juros da economia, a previsão é de fechamento em 2,25% ao ano, mesma projeção por três semanas consecutivas.

Abalado pelo isolamento social e pelo desemprego, o consumo das famílias brasileiras registrou queda de 2% no primeiro trimestre do ano, na comparação com os últimos três meses de 2019. Trata-se do maior recuo já registrado desde 2001, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A queda é puxada principalmente pelo desempenho negativo dos serviços, em meio ao fechamento de restaurantes, cinemas, bares e academias. De acordo com um estudo da consultoria Tendências, as famílias devem deixar de gastar R$ 225,1 bilhões neste ano na comparação com 2019.

Abaixo está um panorama feito dos últimos dias 15 dias com os principais acontecimentos dos setores que se destacaram.

Geral

  • Em meio à pandemia do novo coronavírus, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu 1,5% no primeiro trimestre de 2020 na comparação com os três meses anteriores. Segundo dados do IBGE, trata-se do maior recuo já registrado desde o segundo trimestre de 2015, quando houve retração de 2,1%. Com o fechamento de lojas, shoppings, bares e restaurantes, o setor de serviços, que é responsável por 65% do PIB, caiu 1,6% no trimestre. Com a queda, o PIB brasileiro volta ao mesmo patamar do segundo trimestre de 2012 e está 4,2% menor do que o pico atingido no quarto trimestre de 2014.

Automobilístico

  • Ao contabilizar novos recordes de baixa nos resultados da indústria em maio, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos, a Anfavea, divulgou sua primeira projeção para o mercado brasileiro após quase três meses de intensificação da pandemia de coronavírus no País. Levando em conta o fraco desempenho do setor até agora e diante de indicadores econômicos nada animadores, a entidade admite que as vendas este ano devem cair 40% em relação a 2019, para apenas 1,67 milhão de unidades, uma redução de 1,1 milhão em relação ao ano passado.
  • As exportações de veículos tiveram o pior resultado para o mês de maio desde 1978, segundo balanço divulgado na sexta-feira, 5, pela Anfavea, entidade que reúne as fabricantes. No mês passado, a indústria brasileira embarcou quase 3,9 mil unidades, entre leves e pesados. O desempenho foi fortemente impactado pela pandemia de coronavírus que também afetou diversos mercados da América do Sul, como Argentina, Chile e Peru, entre outros.
  • As vendas de veículos leves em maio permaneceram sufocadas pela pandemia de coronavírus que fechou concessionárias e deflagrou a maior crise de confiança que se tem notícia. No mês foram emplacados 56.618 carros e comerciais leves, o que representa crescimento de 10,2% em relação a abril (51.362), mas queda de 75,8% em relação a maio de 2019, quando foram licenciados 234.173 zero-quilômetro, quase cinco vezes mais do que o nível atual do mercado. Os números foram obtidos pela Autoinforme.
  • O segmento de caminhões começou a esboçar recuperação de vendas em maio, com desempenho melhor do que o registrado para veículos leves. Segundo números consolidados divulgados na terça-feira, 2, pela associação dos concessionários, a Fenabrave, no mês foram emplacados 4.736 veículos pesados de carga (acima de 3,5 toneladas de PBT), o que representa alta de 21% na comparação com abril.
  • A exportação de autopeças em abril somou US$ 293,6 milhões, registrando queda de 57,4% em relação ao mesmo mês do ano passado. O valor embarcado foi semelhante àquilo que se anotava mensalmente no fim dos anos 1990, ou seja, um mergulho de aproximadamente 20 anos na história. Os números foram divulgados pelo Sindipeças, sindicato que reúne fabricantes do setor. A entidade estima que os níveis anotados antes do início da pandemia de Covid-19 só voltarão a se repetir no primeiro trimestre de 2021.

E-commerce

  •  O comércio eletrônico registrou um crescimento médio de 52% entre os meses de março e maio, durante o isolamento social. O dado faz parte de uma pesquisa da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), em parceria a com a Konduto, empresa de análise de risco. O tíquete médio passou de R$ 417,82, na primeira quinzena de março, para R$ 535,60, entre os dias 10 e 23 de maio. De acordo com a pesquisa, as compras de supermercado obtiveram elevação de 270,16% no início do isolamento, período em que o setor de farmácia teve alta de 41,56% nas vendas.
  • Quase R$ 3 bilhões. Esse é o faturamento esperado pelo setor de e-commerce em vendas para o Dia dos Namorados, conforme projeção da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm). Caso confirmada, representará aumento de 18% na comparação com a mesma data em 2019.
  • As vendas online no Brasil registraram retração de 5,1% na terceira semana de maio, na comparação com a semana anterior. Este foi o primeiro recuo desde o início da fase de isolamento social em março, segundo aponta o levantamento mais recente da Ebit|Nielsen. Entre os segmentos com baixa performance na semana estão os eletrodomésticos, com queda de 10,7%; aparelhos de informática, que recuaram 8,8%; e moda, com diminuição de 7,1%. Apenas a categoria relacionada a telefonia e celulares registrou desempenho positivo, com leve alta de 1,9%.
  •  Após o isolamento social devido à pandemia, 54% dos brasileiros pretendem realizar mais compras online. O dado faz parte do estudo “Marco de Hábitos de Consumo Pós-Covid-19”, da agência de comunicação Marco. A pesquisa aponta, ainda, que 65% da população efetuou mais compras via internet desde o mês de março.
  •  O Brasil passou a contar com 107 mil novos e-commerces desde o início do isolamento social, em março. No período, o país abriu mais de uma loja virtual por minuto. Os dados são de um levantamento feito pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) entre os dias 23 de março e 31 de maio. Antes da quarentena, a média de abertura de lojas na internet era de 10 mil estabelecimentos por mês.

Farmacêutico

  • Depois de suspender por dois meses, o governo federal autorizou, no dia 1º de junho, um reajuste de até 5,21% nos preços de medicamentos para 2020. O aval para o aumento foi publicado nesta noite em edição extraordinária do Diário Oficial da União (DOU) em decisão da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e as empresas já podem aplicá-lo. 

Financeiro

  • O Next, banco digital do Bradesco, liberou a função de depósito com crédito imediato. A transação permite que o cliente realize depósitos em dinheiro sem uso de envelope e o valor fica disponível imediatamente na conta do favorecido. Os depósitos podem ser feitos em cerca de 4.900 caixas eletrônicos habilitados do Bradesco.
  • O WhatsApp anunciou na segunda-feira, 15 de junho, que o Brasil será o primeiro país a receber uma atualização do aplicativo que vai permitir que usuários enviem e recebam dinheiro, usando cartões cadastrados. A novidade também vai permitir que contas do WhatsApp Business recebam pagamentos por produtos e serviços. A função chega ao Brasil já nas próximas semanas, de acordo com o WhatsApp. Será preciso cadastrar um cartão com a função débito para fazer as transferências. Os pagamentos acontecem dentro de uma função chamada Facebook Pay. A rede social também é dona do Instagram, além do Whatsapp.

Food Service

  • Em meio ao isolamento social, a rede de pizzarias Domino’s apostou em uma nova forma de entregar cupons de descontos aos consumidores: através do drone “Dromino’s”. A iniciativa foi realizada na última semana, no bairro Pinheiros, localizado em São Paulo (SP). Os drones ofereciam 30% de desconto nas pizzas médias, massa fina ou tradicional, com a utilização de um código nos pedidos online.

Indústria

  • Cerca de 22% das empresas do setor industrial brasileiro só têm condições financeiras de manter suas operações por mais um mês, revelou uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para 45%, o prazo previsto para a sobrevivência na pandemia é de até três meses. Ainda assim, 44% dos entrevistados acreditam que a economia vai registrar expansão nos próximos três anos. Apesar de 74% das empresas terem sido prejudicadas pela crise nas últimas semanas, 66% disseram não ter exonerado funcionários. Já entre as que já demitiram, 78% preveem retomar as contratações.

Logística

  • A restrição do transporte aéreo devido à pandemia de Covid-19 tem levado à retenção de encomendas e correspondências postais com destino ao Brasil em diversos países. Diante desse impasse, os correios brasileiro e chinês firmaram acordo para viabilizar o transporte de encomendas e documentos vindos da China por meio marítimo.

Shopping Centers

  • A administradora brMalls teve lucro ajustado de R$ 130 milhões no primeiro trimestre deste ano, queda de 24% em relação ao mesmo período de 2019. A receita líquida caiu 5,8%, para R$ 296 milhões. Segundo a empresa, os números são resultados dos descontos na cobrança de aluguel para lojistas e da diminuição de vendas, impactadas desde o mês de março com o fechamento dos seus 29 shoppings. A administradora prevê que todos os empreendimentos voltem a funcionar em julho, à medida que governos regionais flexibilizem o isolamento social.

Varejo Geral

  • Dados da Nielsen mostram que, em todo o Brasil, as vendas do autosserviço alimentar, cash & carry e cadeias de farmácias cresceram 11,9% do começo do ano até o dia 24 de maio, em relação ao mesmo período de 2019. O avanço mais expressivo, de 16,4%, foi registrado na área que inclui Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro. Em seguida aparece com destaque a região Nordeste, onde as vendas acumulam crescimento de 14,1%.

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Pedro de Vito

Especialista em Inteligência de Mercado na GoBacklog, uma empresa especializada no desenvolvimento de soluções digitais que vem mudando a forma de se criar negócios digitais de sucesso. Estudante de Administração na UFJF, apaixonada por pessoas, inovação e tecnologia.