Segundo levantamento realizado pela FSB Pesquisa para o banco BTG Pactual, a crise econômica no Brasil provocada pela pandemia do novo coronavírus já causou a perda de emprego para 11% das pessoas e obriga 69% a cortarem gastos na família, enquanto 56% devem atrasar o pagamento de dívidas.

Números como esses comprovam o impacto do coronavírus na economia nacional. Além disso, a grande maioria dos setores que contribuem para que a economia do país estejam aquecidas tiveram que reduzir a produção, ou até mesmo parar a produção por completo.

O momento faz com que as empresas se transformem digitalmente ainda mais rápido, considerando que os clientes estão migrando para esse canal devido o isolamento social. Diante disso, abaixo está um panorama feito dos últimos dias 15 dias com os principais acontecimentos dos setores que se destacaram.

Geral

  • O governo detalhou os investimentos que serão feitos para manter empregos durante a crise do Covid-19 e financiar ações de saúde em estados e municípios no combate à pandemia. O montante estimado será de R$ 200 bilhões, incluindo o “coronavoucher”, auxílio emergencial de R$ 600 a trabalhadores prejudicados pela crise.
  • Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia, revelou que o governo pretende isentar consumidores de baixa renda do pagamento da conta de luz durante a pandemia do novo coronavírus. A medida valeria por 90 dias. A isenção nas tarifas de energia seria para os cadastrados no programa Tarifa Social, um grupo de 9 e 10 milhões de famílias, pelas estimativas da pasta.

Automobilístico

  • A pandemia de coronavírus e as medidas de isolamento social fizeram estrago considerável nas vendas de carros nas últimas duas semanas de março. Embora a quarentena de boa parte da população tenha sido iniciada somente na segunda quinzena, a queda no volume de emplacamentos foi tão avassaladora que fez do mês o pior março dos últimos 14 anos. Foram emplacados apenas 155.771 automóveis e comerciais leves, contra os 148 mil no mesmo mês de 2006. 
  • A produção de veículos em março somou 190 mil unidades, registrando queda de 7% ante fevereiro. Na comparação com março de 2019 a retração é bastante expressiva, 21%. Nos primeiros três meses foram fabricados no Brasil 585,6 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus. O resultado ruim do mês passado impactou o trimestre, que agora acumula queda de 16% na comparação com o mesmo período de 2019.
  • O setor de motos teve 75,3 mil unidades emplacadas, anotando pequena queda de 5,6% na comparação com fevereiro. A retração nas vendas esperada por causa do período de quarentena foi atenuada com o crescimento da procura de motocicletas para serviços de entrega.
  • De acordo com consultoria elaborada pela Bright Consulting, a crise causada pela Covid-19 deve resultar em redução de 13,5% nas vendas, para 2 milhões de unidades, e de 16,5% na produção de veículos leves, para cerca de 2,3 milhões de unidades em 2020.
  • O faturamento da indústria de autopeças em fevereiro registrou discreta alta de 1,4% sobre janeiro, revelando dificuldades enfrentadas pelo setor antes mesmo da crise provocada pelo coronavírus. No acumulado do bimestre houve queda de 8,2%. Os números foram divulgados pelo Sindipeças, entidade que reúne fabricantes do setor.

E-commerce

  • O portal Feira do Ceasa, voltado para atender aos atacadistas do segmento food service, passa a vender quantidades fracionadas para pessoa física, após diagnosticar o aumento da demanda, surgido em meio a crise. Na última semana, a plataforma registrou aumento de 400% nas vendas e o varejo representa 60% do faturamento do marketplace.
  • Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), em parceria com o Movimento Compre & Confie, levantou que o varejo digital teve aumento significativo de consumo desde a confirmação do primeiro caso da doença no país, em 25 de fevereiro, até o dia 20 de março. As altas, em comparação com período similar do ano passado, foram de 30,5% em pedidos feitos e de 28% em faturamento.
  • O total de compras online retomou crescimento de 18,5% entre os dias 31 de março e 6 de abril de 2020 versus 24 a 30 de março de 2019, segundo o último relatório Impactos da Covid-19 no Comportamento do E-Commerce Brasileiro, elaborado pela Ebit/Nielsen. As categorias relacionadas à Páscoa apresentam um resultado acima do ano anterior, com aumento de 377% no faturamento.
  • Com boa parte dos comércios fechados devido à pandemia de Covid-19, as vendas online registraram aumento de 18,5% na primeira semana de abril, segundo dados da consultoria Ebit/Nielsen. O crescimento entre os dias 31 de março a 6 de abril em relação à semana anterior foi impulsionado pela busca por conveniência e entrada de novos consumidores brasileiros na modalidade de compra.

Energia Solar

  • O Portal Solar, marketplace de equipamentos fotovoltaicos, em parceria com o banco BV, reformulou o financiamento para equipamentos fotovoltaicos. Agora, a linha crédito permite o parcelamento inédito no mercado em até 72 vezes, facilitando ao consumidor a instalação de sistemas de geração de energia solar em residências, comércios e indústrias sem a necessidade de desembolso próprio.
  • A energia solar fotovoltaica terá uma importante contribuição na matriz energética global. Um estudo do Internacional Renewable Energy Agency, IRENA (Agência Intencional de Energias Renováveis) mostra uma queda contínua de custos de investimentos e de produção nas próximas décadas. Segundo a agência, entre 2010 e hoje, o custo de investimento por kW instalado solar, média global, caiu 74%. Nesse mesmo caminho, para 2030, poderia se esperar uma queda semelhante e, para 2050, a redução poderia superar 80%.

Farmacêutico

  • O reajuste anual de preço dos medicamentos, que ocorre no primeiro dia de abril, e é definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), foi adiado por 60 dias diante das complicações econômicas causadas pelo novo coronavírus, o Covid-19.
  • A Pague Menos, rede de farmácias, passa a aceitar receitas médicas digitais. A novidade será possível com a liberação do acesso à plataforma de prescrição digital da healtech Memed, que possui 100 mil médicos cadastrados em todo país. Por meio da plataforma, o cliente recebe a receita digital prescrita pelo seu médico por SMS direto no celular. Ao apresentá-la no balcão, a farmácia pode conferir se a receita está assinada digitalmente ou não e, em seguida, realizar a entrega dos medicamentos. 

Food Service

  • Com o coronavírus e as medidas de isolamento social, trabalhadores autônomos e pequenos negócios tendem a sofrer mais que as grandes empresas. Pensando nisso, o aplicativo de entregas iFood anunciou que vai dobrar fundos para entregadores e destinará R$ 2 milhões em auxílios.

Logística

Saúde

  • O tratamento, consultas, internações, terapias e exames dos pacientes diagnosticados com o novo Coronavírus, o Covid-19, já são assegurados aos beneficiários de planos de saúde. E, neste mês a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabeleceu, em reunião extraordinária, a inclusão do exame de detecção do Covid-19 no Rol de Procedimentos obrigatórios para os beneficiários.

Varejo Geral

  • Um levantamento feito pela FecomercioSP mostra que, usando como parâmetro as perdas do comércio durante a recessão de 2015 e 2016, a crise do novo coronavírus fará com que o setor venda entre R$ 115 bilhões e R$ 138 bilhões a menos em 2020 que no ano passado. O valor representa 3,9% a 4,8% do que foi comercializado em 2019.
  • No início do mês de abril, o Magazine Luiza lançou o Parceiro Magalu, uma plataforma digital de vendas para ajudar micro e pequenos varejistas e profissionais autônomos a manter seus negócios e obter renda durante o período de isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19.
  • O varejo brasileiro sofreu um baque de 21% em queda de faturamento no mês de março na comparação com fevereiro, um reflexo da escalada do novo coronavírus no país. Ano a ano, a queda é ainda maior, de 22,6%. Os números são de um estudo da companhia de pagamentos Cielo.
  • No período de 16 a 31 março, algumas redes varejistas registraram acréscimo de até 113% nas vendas pelo WhatsApp. O levantamento é da GS, especializada em ciência do consumo.
  • As vendas do comércio varejista deverão cair 31,6% este ano, na comparação com a Semana Santa de 2019, conforme projeção da CNC. Isso significará R$ 738 milhões a menos em faturamento no varejo.
  • As vendas do comércio para a Páscoa recuaram 33% em 2020, quando comparadas ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Boa Vista. Em 2019 as vendas haviam apresentado crescimento de 1,5%.

Varejo Supermercadista

  • Os supermercados brasileiros registraram crescimento real de 4,61% em fevereiro na comparação com o mês de janeiro, de acordo com o Índice Nacional de Vendas ABRAS apurado pelo Departamento de Economia e Pesquisa da entidade nacional. O resultado, já deflacionado pelo IPCA/IBGE, foi ainda maior quando comparado a fevereiro do ano anterior, 15,88%. No acumulado anual o setor registra alta de 10,35%.
  • As perdas de alimentos perecíveis na frente de caixa saltaram 181% com o aumento no fluxo de clientes nos supermercados brasileiros, em razão da pandemia de Covid-19. Especificamente em relação às frutas, legumes e verduras, o cenário é ainda pior, com avanço de 254% no índice de perdas registrado na área de PDV, em comparação com as incidências anteriores à crise do Coronavírus.
  • No auge do interesse do público em abastecer a despensa, entre os dias 19 e 25 de março, o número de novos consumidores em varejistas online de autosserviço cresceu 96% em comparação com a semana anterior. No mesmo período, o setor de e-commerce como um todo registrou aumento médio de apenas 13% na quantidade de shoppers em primeira compra online. Os dados são da Ebit|Nielsen.
  • A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) divulgou em parceria com a Compre e Confie, empresa de inteligência em mercado focada em e-commerce, um relatório que mostra que as compras online dos supermercados aumentaram em 80% com a crise causada pelo coronavírus. O estudo compara as vendas realizadas no período de fevereiro a março de 2020 com as que foram feitas no mesmo período do ano passado.

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Pedro de Vito

Especialista em Inteligência de Mercado na GoBacklog, uma empresa especializada no desenvolvimento de soluções digitais que vem mudando a forma de se criar negócios digitais de sucesso. Estudante de Administração na UFJF, apaixonada por pessoas, inovação e tecnologia.