Com o avanço da pandemia e seus impactos para a economia global, analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Banco Central reduziram mais uma vez sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2020. A expectativa recuou de -4,11% para -5,12%

Há quatro semanas, o mercado previa queda de 2,96%. Os analistas ouvidos pelo BC também diminuíram a projeção da Selic no fim do ano, de 2,5% ao ano para 2,25% ao ano. Já para a inflação, a mediana das projeções passou de alta de 1,76% para 1,59% no fim de 2020.

Diante desse cenário de incertezas e más notícias, as empresas estão buscando maneiras de se manterem vivos, visando a perenidade do negócio. Um ponto fundamental para atingir esse objetivo é exercer os valores das empresas da melhor maneira possível.

Abaixo está um panorama feito dos últimos dias 15 dias com os principais acontecimentos dos setores que se destacaram. 

Geral

  • De acordo com dados do Monitor do PIB, indicador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, a pandemia de coronavírus derrubou o consumo das famílias, principal pilar de sustentação da economia nacional. Em março, primeiro mês de isolamento social no país, o índice registrou queda de 6,5%. Todas as modalidades tiveram queda no mês, com exceção dos bens não-duráveis, especialmente produtos alimentares e farmacêuticos. O consumo é responsável por cerca de dois terços do PIB brasileiro, e vinha crescendo 2% ao ano e sustentando a recuperação da economia desde o final de recessão de 2014-2016.

Atacado e Distribuição

  • O processo de desmanche do Makro Atacadista continua. A rede fechou, no dia 18 de maio, cinco lojas nas cidades de Aracaju (SE), Joinville (SC), Curitiba, Pinhais e Foz do Iguaçu (PR). A operação acontece após a bandeira ter vendido 30 unidades para o Grupo Carrefour, por R$ 1,95 bilhão. Com a negociação, o Makro permanecerá apenas com os pontos de venda localizados no estado de São Paulo.
  • O estudo do Ranking ABAD/Nielsen 2020, considerando 2019 o ano base, realizado pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD) em parceria com a consultoria Nielsen, aponta que o setor atacadista e distribuidor atingiu em 2019 faturamento de R$ 273,5 bilhões, a preço de varejo, revelando uma participação de 53% no mercado mercearil nacional, que é avaliado pela Nielsen em R$ 516,2 bilhões em 2019. É o 16º ano consecutivo em que a participação do setor permanece superior a 50%, reforçando sua abrangência e importância na economia brasileira.

Atacarejo

  • O Atacadão, formato de cash & carry do Carrefour Brasil, chegou a registrar queda de 25% nos clientes pessoa jurídica nas primeiras semanas do início da quarentena. O recuo, entretanto, foi compensado pelo aumento das vendas aos consumidores finais, que elevaram o tíquete médio em suas compras de abastecimento. 

Commodity

  • A Petrobras encerrou o primeiro trimestre com um prejuízo de R$ 48,5 bilhões, o pior resultado já registrado na história da estatal em um trimestre. No mesmo período do ano passado, a Petrobras havia registrado lucro de R$ 4 bilhões. Segundo o presidente da companhia, Roberto Castello Branco, a pandemia do novo coronavírus deve afetar ainda mais a Petrobras, em meio à recessão econômica global e à consequente baixa na demanda por combustíveis.

E-commerce

  • As vendas pela internet cresceram 209% em todo mundo em abril, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O dado é de um levantamento da empresa de pagamentos eletrônicos ACI Worldwide. Impulsionado pelo isolamento social, o comércio eletrônico cresceu principalmente no setor de videogames, que registrou aumento de 125% nas vendas.
  • As vendas realizadas pelo e-commerce praticamente dobraram no Brasil, com expansão de 98,74% em abril, em relação ao mesmo mês do ano anterior. O isolamento social, em função da pandemia do novo coronavírus, refletiu na forma de comprar do brasileiro. Os dados são do índice MCC-ENET, desenvolvido pelo Comitê de Métricas da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net) em parceria com o Movimento Compre & Confie.
  • A Senior Sistemas, provedora de softwares de gestão, registrou um aumento de 18,1% nas vendas do e-commerce em abril quando comparado com o mês de março. Os dados foram analisados a partir de soluções que suportam e otimizam a operação logística de centros de distribuição de 74 e-commerces de médio e grande portes. No mês de março a empresa havia divulgado um aumento de 13,9% em relação ao fevereiro. Em comparação com o mês de abril de 2019, o crescimento é de 110%. Em abril deste a ano, o software da empresa registrou 1,26 milhão de pedidos, contra 600 mil no mesmo período do ano anterior.
  • No e-commerce das marcas Extra e Pão de Açúcar, transações via celular já correspondem a 50% das vendas em valor. O GPA avalia que, no cenário atual, de alta procura pelas compras sem sair de casa, aplicativos dos supermercados ganham ainda mais relevância na jornada de compra do shopper. 
  • Segundo a consultoria McKinsey, o Brasil é um dos países com maior aumento de receita em e-commerce devido ao novo coronavírus. Antes da pandemia, a porcentagem de receita desta modalidade nas empresas era de 42% e, com a mudança, tornou-se 62%.

Farmacêutico

  • A Extrafarma passou a aceitar receitas com certificação digital em todas as suas farmácias. Para viabilizar a tecnologia, os protocolos de atendimento e os sistemas foram adaptados. Outra novidade da rede é a realização de testes rápidos de Covid-19 em uma unidade de Belém, capital do Pará. Com agendamento prévio, o serviço é realizado em dois modelos: sistema de drive-thru ou em tendas na área externa da loja.
  • Com faturamento de R$ 650,5 milhões, a gaúcha Panvel obteve crescimento acima de dois dígitos no primeiro trimestre de 2020 em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço de 11,4% foi impulsionado especialmente pelas vendas via e-commerce, cuja evolução foi de 120%, em parte reflexo dos efeitos da pandemia da Covid-19.
  • O consumo e a venda de vitaminas disparou no Brasil. Em abril, o aumento foi de 58% em relação ao mesmo mês em 2019, enquanto em março o crescimento atingiu 54%, comparado ao mesmo período. É o que aponta o relatório da IQVIA. E não à toa, foram os itens dedicados à prevenção os que tiveram mais saída nas farmácias nesse período.

Financeiro

  • Em meio aos impactos econômicos da pandemia de Covid-19, a carteira digital PayPal anunciou o lançamento de uma linha de crédito para vendedores no Brasil. O produto funcionará por meio de um desconto diário dos valores devidos, conforme o fluxo recebido nas vendas. O empréstimo terá juros a partir de 1,5% ao mês e liberação de valores entre R$ 5 mil e R$ 2,5 milhões. A linha está disponível para vendedores de todos os portes, com pelo menos seis meses de relacionamento com a PayPal, mas terá foco em micro e pequenos empreendedores. O objetivo da empresa é que, em três anos, 30% da sua base contrate pelo menos uma operação de crédito.
  • Dotz, conhecida pelo programa de fidelidade, vai lançar uma conta digital para sua base de quase 40 milhões de clientes. A ideia é iniciar uma campanha de marketing agressiva e conquistar cerca de 10 milhões de clientes em dois anos. Segundo o sócio e executivo-chefe da Dotz, Roberto Chade, apesar de entrar em um novo segmento, o objetivo da companhia continua sendo o mesmo: fazer o dinheiro dos clientes render mais. Além de ter a conta digital gratuita e um marketplace com diversos serviços, o usuário ganha pontos Dotz ao realizar vários tipos de transação.
  • A Troco Simples, startup que reverte moedas físicas em trocos digitais, registrou um crescimento mensal de 150% no volume de novos clientes durante a pandemia. Até o final de 2020, a startup tem como meta estar presente em 5 mil estabelecimentos e entregar 5 milhões de trocos digitais.
  • As compras realizadas com cartões de crédito, débito e pré-pagos aumentaram 14,1% durante o primeiro trimestre de 2020, para R$ 475,7 bilhões. O levantamento é da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). De acordo com a pesquisa, foram movimentados R$ 297,7 bilhões com cartões de crédito (+14,1%), R$ 170,8 bilhões com cartões de débito (+12,5%) e R$ 7,1 bilhões com cartões pré-pagos (+78,9%). Ao todo, foram 5,8 bilhões de transações com cartões ao longo do primeiro trimestre, o que representa um crescimento de 15,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Food Service

  • Desde a decretação da quarentena como medida para conter o avanço da pandemia da Covid-19, houve alta de 136% nas vendas de bebidas alcoólicas pela internet, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Compre&Confie, empresa de inteligência de mercado focada em comércio eletrônico.
  • A Anheuser-Busch InBev (ABI), multinacional belga dona da Ambev, criou a Z.Tech, empresa de tecnologia que aposta em uma carteira digital e um marketplace de produtos de atacado. A maior fabricante de cervejas do mundo também quer fornecer, além das bebidas, serviços a seus clientes através da startup, digitalizando o pequeno varejo.
  • Oito grandes empresas do setor de alimentos e bebidas firmaram uma coalizão para apoiar o pequeno varejo na reabertura do comércio. O movimento denominado “Nós” envolve Ambev, Aurora Alimentos, BRF, Coca-Cola Brasil, Grupo Heineken, Mondelez International, Nestlé e PepsiCo. O investimento será de mais de R$ 370 milhões e promete beneficiar de cerca de 300 mil pequenos comércios no país.

Shopping Centers

  • Dentre os 577 shoppings do Brasil, 126 já retomaram as atividades, segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Os empreendimentos em operação estão localizados em 60 municípios, de 10 estados. No Sudeste, há 1 shopping reaberto no Espírito Santo, 10 em Minas Gerais e 8 no Rio de Janeiro. No Sul, são 32 centros de compras em atividade no Rio Grande do Sul, 24 em Santa Catarina e 32 no Paraná. A região Centro-Oeste concentra 2 shoppings em operação no Mato Grosso, 6 no Mato Grosso do Sul e 10 em Goiás. Já o Nordeste tem 1 empreendimento em atividade, situado na Bahia.

Varejo Geral

  • Considerado um dos meses mais importantes para o varejo devido ao Dia das Mães, maio deve apresentar uma queda de 22,11% nas vendas, em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR). Nesta data, o consumo costuma registrar, dependendo das categorias, um aumento de 40% da média anual.
  • Segundo dados compilados pela empresa de informações de crédito Boa Vista, o Indicador Movimento do Comércio, que acompanha o desempenho das vendas no varejo em todo o Brasil, caiu 26,6% em abril. Na avaliação acumulada em 12 meses, o indicador apresenta queda de 1,3%. Já no acumulado de 2020, o indicador tem recuo de 6,4% se comparado com o mesmo período do ano passado. Em relação ao mesmo mês de 2019, a queda foi de 26,3%. Trata-se da terceira queda mensal consecutiva do indicador, que iniciou o ano em alta.
  • O e-commerce do Magazine Luiza registrou um aumento de 73% no primeiro trimestre de 2020. Composto por site, app, marketplace e as operações de Netshoes, Zattini, Época Cosméticos e Estante Virtual, as vendas digitais superaram o valor de R$ 4 bilhões e correspondem a 53% das vendas totais da companhia. O marketplace do Magazine Luiza cresceu 229% e atingiu R$ 1,2 bilhão em GMV, um crescimento de quase 185%.
  • De acordo com dados Nielsen, o chamado varejo moderno, grupo que inclui os diferentes formatos do autosserviço alimentar, o segmento de atacarejo e as redes de farmácia, registrou avanço de 15,3% entre os dias 4 e 10 de maio. Todas as cestas de produtos contribuíram para a alta no período. Um dos destaques foram os alimentos, com alta de 15,7%.
  • A Via Varejo anuncia a aquisição de 100% das ações do banQi, plataforma de conta digital usada pela companhia desde o ano passado. Em fevereiro deste ano, a companhia já havia anunciado o exercício da opção de compra de 80% das ações da fintech norte-americana. Atualmente, os correntistas do banQi têm acesso a serviços de depósitos gratuitos em 511 lojas da Casas Bahia e Lotéricas, saque gratuitos também em lojas da Casas Bahia, assim como a opção de pagar carnês, boletos, contas, fazer transferências e efetuar recargas de celular pelo app.
  • O Supermercado Now, pertencente à B2W Digital, anuncia uma parceria com a Vai.Car, empresa de compartilhamento de carros. Com a operação, os motoristas da plataforma poderão atuar como shoppers e realizar as entregas aos consumidores em até duas horas, além de faturar até R$ 1.000 por semana, afirma a Vai.Car. Para se tornar um Shopper Now, os usuários deverão se cadastrar no site e escolher entre três categorias de atuação: Shopper, responsável pela compra e pela entrega; Picker, que realiza a compra, passa no caixa, embala e deixa o pedido pronto para entrega; e Deliver, que faz apenas a entrega dos produtos.
  • O Google lançou no Brasil a página Categorias em ascensão no Varejo, que mostra as tendências de buscas por bens de consumo no varejo nacional. O site fornece insights para marcas e varejistas, que terão acesso às categorias que crescem em interesse de busca, os locais onde vêm crescendo e as consultas associadas à elas, em um movimento inédito. A página é parte do Think with Google, site do Google dedicado a compartilhar insights sobre consumo, tendências de mercado e boas práticas. 

Varejo Supermercadista

  • Com o objetivo de oferecer ainda mais segurança aos clientes e minimizar a propagação pelo Covid-19, o novo Condor Boa Vista, inaugurado dia 26 de maio em Joinville-SC, conta com uma cabine de desinfecção, instalada logo na entrada do estabelecimento. A solução possui um pulverizador, que é acionado automaticamente a cada pessoa que passa, e libera uma substância composta de Água Biguanida, um desinfetante muito utilizado em hospitais.

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Pedro de Vito

Especialista em Inteligência de Mercado na GoBacklog, uma empresa especializada no desenvolvimento de soluções digitais que vem mudando a forma de se criar negócios digitais de sucesso. Estudante de Administração na UFJF, apaixonada por pessoas, inovação e tecnologia.