O Banco Central informou que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), uma espécie de “prévia” do PIB, caiu 9,73% em abril, mês inteiramente afetado pelas medidas de isolamento social no Brasil. O número foi calculado com ajuste sazonal, uma espécie de “compensação” para comparar períodos distintos.

Segundo o Banco Central, trata-se da maior queda do indicador desde o início de sua série histórica, em janeiro de 2003. Em março, o IBC-Br teve retração de 6,16% na comparação com fevereiro. Antes disso, o maior tombo (-3,96%) havia ocorrido em maio de 2018, em meio à paralisação dos caminhoneiros.

Números como esse comprovam a volatilidade do mercado diante a crise do novo coronavírus. Pensando nisso, elaboramos um panorama dos últimos dias 15 dias com os principais acontecimentos dos setores que tiveram certo destaque.

Geral

  • O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu a taxa básica de juros da economia de 3% para 2,25% ao ano. Este foi o oitavo corte consecutivo na Selic, que agora está em um novo piso da série histórica do Copom, iniciada em 1996. A redução já era esperada pelos economistas, já que a atividade econômica e a inflação despencaram no Brasil em meio à pandemia do novo coronavírus. A avaliação do mercado era de que o BC seria levado a reduzir novamente a Selic para estimular a economia.

Atacarejo

  • Após a liberação da segunda parcela do auxílio emergencial, o cash & carry registrou um aumento de 16% no ticket médio. No setor, o valor passou de R$ 136 na primeira semana de maio, para R$ 158 na primeira semana de junho. Os dados são de uma pesquisa realizada pela Horus, plataforma de inteligência de mercado.
  • Do início do ano até o dia 7 de junho, o formato atacarejo acumula crescimento de 18,5% em vendas em comparação com o mesmo período de 2019. O desempenho está bem acima de qualquer outra operação do varejo alimentar: os supermercados avançaram 10,2%; lojas de vizinhança subiram 9,7%; e os hipers cresceram 9,5%.

Automobilístico

  • Na primeira quinzena de junho foram emplacados no País 47.359 carros e comerciais leves, o que representa um salto de 81% na comparação com os primeiros 15 dias de maio, segundo levantamento da Autoinforme. O movimento indica recuperação gradual das vendas, mas foi inflado pelo represamento de veículos vendidos anteriormente que não foram emplacados, porque a maior parte dos Detrans no País foi reaberta este mês após paralisação desde o fim de março, para atender medidas restritivas impostas pela pandemia de coronavírus.
  • O faturamento da indústria de autopeças em abril foi 81,6% menor que o anotado em março, já parcialmente afetado pelo início da paralisação das atividades na indústria por causa da Covid-19. A comparação com abril do ano passado revela queda ainda maior, de 85,5%. As montadoras foram o canal de vendas mais afetado, com retração de 94,5% na comparação com abril do ano passado, refletindo a grande queda de produção no quarto mês de 2020 por causa da quarentena. Os números foram divulgados pelo Sindipeças, entidade que reúne fabricantes do setor.
  • As vendas de carros elétricos devem crescer no mundo em 2020, apesar dos impactos da pandemia de COVID-19, aponta relatório da Agência Internacional de Energia (AIE). A estimativa é que o número de veículos em uso em todo o planeta deve chegar a 10 milhões nesse ano. A análise aponta que o segmento deve ter um desempenho superior ao do mercado total de carros de passeio, que deve registrar queda de 25% nas vendas.
  • O mercado mundial de autopeças deve registrar queda de 15% nas vendas de 2020 por causa da Covid-19. A conclusão vem de um estudo da Bain & Company. Os reflexos da pandemia serão sentidos até a metade da década. De acordo com a consultoria, apesar da recuperação nos próximos cinco anos na comparação com 2020, ainda serão registradas quedas significativas. A projeção é que o mercado de autopeças tenha entre 2021 e 2025 uma variação negativa entre 4% e 8% na comparação com as projeções anteriores à crise.

Construção Civíl

  • Em maio, o setor de construção civil registrou crescimento de 8% em volume de vendas da indústria para o varejo, na comparação com o período pré-pandemia (fevereiro de 2020), segundo dados da empresa Juntos Somos Mais. Os números demonstram uma recuperação do setor, que, em abril, obteve queda de 13% na mesma base de comparação.

E-commerce

  • Cerca de 70% da população pretendem comprar mais em sites e aplicativos do que faziam antes da pandemia, considerando todos os segmentos do comércio. A constatação é de pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). O estudo também conclui que compras via e-commerce estão cada vez mais comuns devido ao aumento da confiança e diminuição de alguns receios e inseguranças que existiam antes do coronavírus.
  • Segundo a pesquisa da Compre&Confie, de inteligência de mercado focada em e-commerce, as compras online movimentaram R$ 9,4 bilhões durante o mês de maio, aumento de 126,9% em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com a empresa, o incremento está relacionado ao volume de pedidos realizados. Ao todo, foram 23,8 milhões – 132,8% mais do que no mesmo intervalo de tempo em 2019.
  • O faturamento do setor de e-commerce no Brasil atingiu R$ 3,4 bilhões em abril, aponta um estudo da plataforma Compre&Confie. O crescimento foi de 81% em relação ao mesmo mês do ano passado. Os segmentos com maior aumento nas vendas foram alimentos e bebidas (+295%), instrumentos musicais (+252%), brinquedos (+242%), eletrônicos (+169%) e cama, mesa e banho (+166%).
  • O faturamento do e-commerce totalizou R$ 41,92 bilhões nos cinco primeiros meses de 2020, alta de 56,8% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. As informações fazem parte de um estudo realizado pelo Movimento Compre&Confie, em parceria com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). No período, houve alta de 65,7% no número de pedidos, de 63,4 milhões para 105,06 milhões. Por sua vez, o tíquete médio caiu 5,4%, de R$ 420,78 para R$ 398,03.

Energia Solar

  • A energia solar foi a única fonte a apresentar crescimento na geração no Brasil no mês de maio, informou a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). As usinas fotovoltaicas registraram aumento de 35,8% em relação ao mesmo período de 2019 em função da expansão da capacidade instalada. Na mesma base de comparação, as hidrelétricas (-14,1%), eólicas (-2,2%) e termelétricas (-1,2%) registraram recuo.

Farmacêutico

  • Em maio, o setor farmacêutico registrou crescimento de 21% na comparação com abril, de 55% em relação à março e de 146% em fevereiro. É o ponto alto de uma evolução nas vendas digitais que começou em março, logo após o início das medidas de prevenção contra o novo coronavírus. Naquele mês, o segmento já havia crescido 59% em relação a fevereiro último antes da pandemia. Em abril, o aumento continuou, com 28% a mais em relação a março e 103% em fevereiro – ou seja, as vendas digitais das farmácias praticamente dobraram em 60 dias.

Financeiro

  • Na terça-feira, 23 de junho, o Banco Central (BC) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) suspenderam a função de pagamentos e transferências por meio do aplicativo WhatsApp no Brasil. A novidade, anunciada na última semana pelo Facebook, oferece riscos para a concorrência, segundo o Cade. Para a entidade, a Cielo, parceira do WhatsApp, poderia explorar uma expressiva base de usuários do aplicativo isoladamente. A operação determinou que as bandeiras de pagamento Visa e Mastercard, que viabilizavam as operações financeiras, paralisem a implementação da função. De acordo com o BC, o objetivo é preservar um mercado competitivo e garantir o funcionamento adequado do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB).
  • A pandemia do novo coronavírus impulsionou o número de pagamentos digitais. Pesquisa realizada pela Kantar, a pedido da Mastercard, mostra que 75% das pessoas entrevistadas fizeram mais pagamentos digitais desde o início do isolamento social. Nesse contexto, o uso de aplicativo se sobressai em relação às demais formas. Pelos apps, 72% realizaram transferências, 68% pagaram contas e 75% consultaram extratos ou saldo da conta.
  • Em 2019, os investimentos feitos pelo setor bancário em tecnologia cresceram 48% em relação ao ano anterior. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o orçamento total chegou a R$ 24,6 bilhões, somado aos gastos do setor em TI, que tiveram alta de 14%. Os aportes em software chegaram a R$ 13,2 bilhões, 54% do total. Os dados são da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2020 (ano-base 2019), que aponta que os canais digitais foram responsáveis por 63% das transações no ano passado.

Food Service

  • Com o isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus, muitos estabelecimentos de food service, como bares e restaurantes, tiveram que fechar suas portas, trabalhando somente com o delivery ou drive-thru. Apesar de ser esperada uma volta iminente das pessoas a esses estabelecimentos no pós pandemia, segundo estudo da 4Life, para 44% das pessoas é muito pouco ou nenhum pouco provável o retorno imediato a esses locais em um momento pós flexibilização do isolamento social. A pesquisa que entrevistou 1.206 pessoas pela plataforma SurveyMonkey, entre os dias 10 e 14 de junho de 2020, ainda revela que apenas 19% dos respondentes voltariam a frequentar bares e restaurantes em breve, 16% consideram esta volta em um curto prazo provável e 21% razoavelmente provável.

Franquia

  • A Unilever entrará no setor de franquias no Brasil com a compra de 123 lojas do Grupo Acerte, uma rede local de lavanderias. O plano é avançar no setor de saúde e higiene pessoal, objetivo que se tornou ainda mais estratégico em meio à pandemia de Covid-19. A multinacional deve rebatizar a rede com o nome da marca de sabão em pó OMO. Com a aquisição da franquia, a Unilever também entra no ramo de lavanderia especializada, que inclui tapetes e cortinas, além de pequenos consertos de roupas. O plano da empresa é inaugurar a primeira loja da franquia OMO já no final de junho, na zona sul de São Paulo.

Shopping Centers

  • Segundo dados da Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), o Brasil já tem 434 shoppings reabertos, equivalente a 75% do total, em 157 municípios.
  • Entre abril e maio, 74% das lojas de shoppings registraram queda de faturamento superior a 90%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são de um levantamento da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), que aponta que o desemprego chegou a 120 mil trabalhadores do varejo. De acordo com a pesquisa, 50% dos entrevistados afirmam que a recuperação dos prejuízos levará de 12 a 18 meses e 31% acreditam que retomada deve acontecer em até 24 meses. Com 83 dias de portas fechadas, o setor acumulou um prejuízo em torno de R$ 27 bilhões, sendo que 10% dos lojistas não devem mais reabrir os negócios.

Tecnologia

  • Em meio ao isolamento social e ao home office forçado, o número de ataques cibernéticos remotos no Brasil subiu 330% entre fevereiro e abril, aponta estudo da empresa de segurança digital Kaspersky. Ataques à ferramenta RDP (Remote Desktop Protocol), por exemplo, passaram de uma média diária de 402 mil em fevereiro para mais de 1,7 milhão em abril. Segundo análise da Kapersky, a pandemia levou muitas empresas a transferir rapidamente seus funcionários para o home office, sem tempo para implementar medidas de seguranças adequadas.
  • O mercado de computadores vendeu 1,47 milhão de unidades entre janeiro e março de 2020, crescimento de 16% em relação ao mesmo período de 2019, quando houve queda de 6,2%. O dado faz parte de um estudo da IDC Brasil, empresa de inteligência de mercado. Os resultados, segundo a pesquisa, estão relacionados à adesão do home office devido à pandemia. Do total de vendas, 71,9% foram notebooks, com 1,064 milhão de unidades, e 28,1% foram desktops, com 415,6 mil.

Varejo Geral

  • As vendas no varejo brasileiro recuaram 16,8% em abril na comparação com o mês anterior e caíram 16,8% sobre um ano antes, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira. A maior queda em 20 anos e a mais acentuada da série histórica iniciada em janeiro de 2001 reflete os efeitos das políticas de isolamento social adotadas para controlar a pandemia de covid-19.
  • O Carrefour e o Google anunciaram na terça-feira (16) que estão lançando um serviço de compras por voz na França, como parte da ambição do varejista de acelerar sua expansão no e-commerce de alimentos. O serviço funciona por meio do Google Assistant e faz parte de uma parceria estratégica entre as duas empresas iniciada em junho de 2018, informou o comunicado conjunto.
  • O Indicador Movimento do Comércio, que acompanha o desempenho das vendas no varejo em todo o Brasil, cresceu 9,9% em maio na comparação mensal dessazonalizada. Os dados foram apurados pela Boa Vista. Na avaliação acumulada em 12 meses, o indicador apresenta retração de 3%. No acumulado do ano o indicador recuou 9% contra o mesmo período do ano passado. Em relação ao mesmo mês de 2019, o varejo apontou queda de 18,4%.

Varejo Supermercadista

  • A crise causada pela pandemia fez o brasileiro colocar no carrinho mais arroz, feijão e leite com marcas dos supermercados. Em abril, as vendas desses alimentos de marcas próprias cresceram 32,6%, em base anual, bem acima da taxa de 10% de todo o setor de alimentos, segundo a Nielsen. O cenário leva a uma projeção de avanço de 9,6% nas vendas das mercadorias de marca própria em 2020.

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Pedro de Vito

Especialista em Inteligência de Mercado na GoBacklog, uma empresa especializada no desenvolvimento de soluções digitais que vem mudando a forma de se criar negócios digitais de sucesso. Estudante de Administração na UFJF, apaixonada por pessoas, inovação e tecnologia.