De acordo com o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, a taxa básica de juros foi reduzida para 4,25% ao ano. A taxa de juros reais (descontada a inflação), está a baixo de 1% ao ano. Esse baixo nível da taxa de juros é novidade no histórico brasileiro.

O intuito dessa redução é aumentar o nível de investimento interno e incentivar a produção e o consumo nacional, já que o Brasil ainda está em um cenário de baixa atividade econômica. Porém, essa redução ainda não chegou totalmente aos consumidores e às empresas.

Além disso, a redução da Selic pode incentivar a migração dos investimentos para o setor produtivo, deslocando os investimentos do setor financeiro para os outros segmentos do mercado. Abaixo está um panorama feito dos últimos dias 15 dias com os principais acontecimentos dos setores que se destacaram.

Geral

  • A expectativa de crescimento da economia em 2020 passou de 2,31% para 2,30%, conforme o Relatório de Mercado Focus, divulgado dia 3 de fevereiro, pelo Banco Central. Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB), de 2,50%. Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial de preços, em 2020. O Relatório Focus mostra que a mediana para o IPCA neste ano foi de alta de 3,47% para 3,40%.
  • A taxa média de desemprego fechou 2019 em queda em 16 estados, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios–Contínua (Pnad-C), divulgada dia 14 de fevereiro, no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A menor taxa média anual de desemprego ficou com Santa Catarina: 6,1%.
  • A balança comercial registrou superávit de US$ 1,160 bilhão no início de fevereiro. Na primeira semana de fevereiro, as exportações somaram US$ 4,656 bilhões, valor 18,3% maior do que o registrado no mesmo período de fevereiro do ano passado. Já as importações totalizaram US$ 3,495 bilhões, com alta de 10,8% na mesma comparação.

Alimentos

  • O segmento de orgânicos movimentou R$ 4,5 bi no Brasil em 2019, representando crescimento entre 10% e 15%, segundo estimativa da Organis, entidade setorial dos Orgânicos. Os números de exportação também foram bons para um ano de grande variação cambial: em torno de U$ 190 milhões (26 empresas associadas) um crescimento aproximado de 5%.
  • Startups usam tecnologia para revolucionar o agronegócio e mudar padrões de consumo. Os investimentos nas agtechs aumentaram 43% em um ano e já chegam a US$ 17 bilhões. A adoção em massa de tecnologias inovadoras mudará a forma como a terra é usada. Afetará não apenas o fazendeiro, mas todas as etapas da cadeia produtiva.
  • A Nestlé lança oficialmente o EcoBot, uma tecnologia que tira dúvidas e orienta as pessoas sobre o correto descarte e a destinação do lixo. A ferramenta será melhorada e cocriada com os usuários em uma jornada constante de aprendizado.

Atacado e Distribuição

  • O faturamento do setor atacado distribuidor cresceu 1,14% em valor nominal no acumulado de 2019 ante 2018. No entanto, em valor real, o faturamento registrou uma queda de 2,48%. O levantamento foi realizado pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad).

Atacarejo

  • O Carrefour divulgou um comunicado nesta segunda-feira (10) confirmando tratativas com os controladores do atacadista Makro para uma possível aquisição de ativos imobiliários e acessórios. Segundo a nota, a operação não contempla aquisição da subsidiária da Makro ou da totalidade das operações no Brasil.

Automobilístico

  • O ano começou negativo para a produção de veículos. Em janeiro foram fabricados no Brasil 191,3 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, volume 3,9% inferior ao do mesmo mês de 2019. O resultado foi divulgado pela Anfavea, associação que representa as montadoras instaladas no Brasil.
  • O faturamento do setor de autopeças registrou 5,6% de alta em 2019 sobre o ano anterior. O crescimento foi pouco maior que os 5,1% projetados pelo Sindipeças, entidade que reúne fabricantes do setor. A alta nas vendas foi especialmente motivada pelas montadoras, que compraram 8,8% a mais que em 2018.

Beleza

Construção Civil

  • A empresa de consultoria de gestão na construção civil (Siege), encontrou uma solução para o monitoramento da entrada e saída dos pedreiros na construção: trabalhar com uma startup local para controlar a entrada e saída por reconhecimento facial.
  • Na contramão da queda da produção industrial brasileira no ano passado, o setor de materiais de construção, que fechou 2019 com alta de 2%, já projeta um crescimento de 4% no faturamento em 2020, segundo dados da Associação Brasileira de Indústrias de Materiais de Construção (Abramat). Entre 2015 e 2017, esse mercado havia desabado 23,8%.

E-commerce

  • O relatório anual Nuvemcommerce analisou a movimentação das PMEs brasileiras que compõem a base da companhia. Dessa forma, apontou que, no último ano, o número de vendas online quase dobrou, passando de R$ 275 milhões em 2018, para mais de 450 milhões em 2019, um aumento de 79,5%.
  • O faturamento no comércio eletrônico no Brasil foi de R$ 75,1 bilhões em 2019, alta de 23%. Foram 178,5 milhões de pedidos feitos pelos brasileiros, 22% a mais do que em 2018. Também aumentou o número de consumidores usando a internet para comprar. Foram 31,4 milhões de brasileiros que fizeram pelo menos uma compra online, alta de 41% em relação ao ano anterior.

Energia Elétrica

  • Brasil e Estados Unidos assinaram no último dia 4, um acordo de cooperação no setor de energia, no Fórum de Energia Brasil-Estados Unidos. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a iniciativa visa promover entre os dois países, investimentos em energia, segurança e comércio.
  • O Grupo Energisa deverá investir este ano R$ 2,98 bilhões. O Formulário de Referência de 2019 foi atualizado no dia 7 de fevereiro. O valor redefinido vai ficar acima dos R$ 2,75 bilhões gastos pelo grupo no ano passado. Do total anunciado, R$ 2,52 bilhões vão para as distribuidoras do grupo, enquanto o restante será direcionado para as áreas de soluções e transmissão de energia.

Energia Solar

  • A redução vertiginosa do preço da energia solar, verificada nos últimos leilões de energia, deve-se a maior competitividade do setor, que já possui oferta maior que a demanda de projetos. O maior atrativo para os investidores, segundo declarações do presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), é o baixo risco de desenvolvimento desses projetos, políticas corporativas e a capacidade de atrair capital para financiar empreendimentos.

Farmacêutico

  • O varejo farmacêutico fechou 2019 em alta, movimentando R$ 120,98 bilhões. Um crescimento de 7,60% em relação a 2018. Todos os modelos de farmácias cresceram, mas o destaque foram as redes associativistas ligadas à Febrafar, que cresceram 14,9%.
  • Com foco em aprimorar a experiência de compra pelo canal digital e garantir a entrega ainda mais rápida dos produtos, a Pague Menos inaugura sua primeira unidade exclusiva e-commerce em São Paulo, sem uma loja física associada.
  • A indústria de medicamentos genéricos registrou crescimento de 6,43% em vendas no ano passado, na comparação com 2018. No total, foram comercializadas 1.482 bilhão de unidades, de acordo com balanço da PróGenéricos (Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos) a partir de dados do IQVIA.

Financeiro

  • O WhatsApp deve expandir para mais países seu recurso de transferência de dinheiro pelo aplicativo ainda neste ano. A declaração foi feita pelo presidente executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, nesta semana, durante conferência com investidores. A ferramenta de pagamentos permite que usuários façam transferência de dinheiro pelo aplicativo. Segundo o executivo, o WhatsApp Payments deve chegar a países em que o aplicativo tem grande base de usuários, como Brasil, México, Indonésia e Índia.
  • Em 2019, o volume de investimentos em startups cresceu 80%, somando US$ 2,7 bilhões. Em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News, Daniel Quandt, líder da área de dados do Distrito, hub de inovação para startups, revela que a maior parte do montante foi destinada às fintechs e startups do sistema financeiro.
  • O Itaú Unibanco registrou lucro líquido de R$ 28,4 bilhões em 2019, avanço de 10,2% na comparação com o ano anterior. No quarto trimestre, a companhia cresceu 12,6% no lucro, para R$ 7,3 bilhões.
  • O PagSeguro PagBank, empresa do Grupo UOL, lança o aplicativo PagVendas. Trata-se de um app grátis que permite ao empreendedor ter controle das vendas em tempo real e fazer a gestão de seu negócio.
  • O Banco do Brasil (BB) anunciou na manhã desta quinta-feira (13) lucro líquido ajustado de R$ 4,625 bilhões no quarto trimestre do ano passado, cifra 20,3% superior ante ao mesmo intervalo de 2018, de R$ 3,845 bilhões.

Franquias

Imobiliário

  • Desenvolvidas pelas próprias imobiliárias, plataformas aceleram processo de locação e poupam o tempo dos envolvidos; redução de custos é vantagem. Um exemplo e a URB9, companhia criada pela imobiliária Nova Aliança, que investiu R$ 1,5 milhão no desenvolvimento do serviço que permite que comprador e vendedor negociem diretamente aspectos como preço, documentos e garantias do contrato, envolvendo o corretor em etapas mais avançadas, como a visita ao imóvel. 
  • O número de fusões e aquisições no setor imobiliário aumentou 133% em 2019, se comparado ao ano anterior. Com um acréscimo de 44 operações em relação ao volume apresentado em 2018 (33), o segmento concretizou 77 transações no último ano. Os dados são de pesquisa da KPMG realizada com 43 setores da economia brasileira.

Logística

Marketplace

Pet

  • O iFood fechou uma parceria com a Zee.Now, braço da empresa de acessórios Zee.Dog que oferece entrega de itens de pet shop em domicílio. Com a operação, a Zee.Now terá uma aba dentro do aplicativo da foodtech, que passará a comercializar produtos para animais de estimação, como rações, petiscos, tapetes higiênicos, areia sanitária, itens de higiene e brinquedos.

Saúde

Seguros

Serviços

  • O volume de serviços prestados no Brasil cresceu 1% em 2019, interrompendo sequência de 4 anos sem crescimento, segundo dados divulgado na quinta-feira, dia 13 de fevereiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Streaming

Supermercadista

Tecnologia

  • Os serviços de cloud computing ou computação em nuvem estão crescendo anualmente na casa dos dois dígitos no Brasil. A migração do serviço se dá em um momento no qual o empreendedor busca a redução de custos para o negócio e mais segurança para os dados que trafegam na internet. Além disso, as aplicações em nuvem oferecem agilidade, inovação e oportunidade de expansão.
  • A empresa norte-americana Amazon Web Services (AWS) confirmou investimento de R$ 1 bilhão nos próximos dois anos para expansão de sua infraestrutura em nuvem na América do Sul. O dinheiro será usado na ampliação de data centers, expandindo a oferta de serviços de computação em nuvem para suportar a crescente adoção da AWS por clientes dos setores privado e público.

Telecomunicação

  • O mercado de TV paga teve o seu pior ano na história em 2019. A perda de base foi de 10%, quase 1,8 milhão de clientes a menos. Toda as operadoras perderam clientes, e o ritmo mensal de queda registrado ao longo do ano não dá sinais de melhora. A queda no setor de TV por assinatura se equivale, em termos percentuais, à queda de base da telefonia fixa, o que só contribui para explicitar a gravidade do problema.
  • O número de fusões e aquisições de empresas de mídia e telecomunicações aumentou 178% em 2019, se comparado ao ano anterior. Os dados são da pesquisa da KPMG, realizada com 43 setores da economia brasileira.
  • O balanço realizado para analisar os acessos do setor de telecomunicações no país mostrou que, até o fim do terceiro trimestre do ano passado, houve diminuição de 2,8% no número de clientes (em um período de 12 meses) dentro dos grandes quatro segmentos de consumo: telefonia fixa, telefonia móvel, banda larga e TV por assinatura.

Turismo

  • O número de empregos nos segmentos de Alojamento e Alimentação, atividades ligadas ao setor de turismo, cresceu 3,7% em 2019 na comparação com 2018. Os dois ramos ocuparam um total de 5,5 milhões de trabalhadores no ano passado, avanço este associado principalmente aos serviços de alimentação.
  • A movimentação econômica para o Carnaval tem deixado o setor do turismo bem otimista. De acordo com estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em 2020, a festa deve injetar R$ 8 bilhões na economia do país, um aumento de R$ 80 milhões em relação ao ano passado.

Varejo Geral

  • O varejo ampliado deve crescer 5,3% em vendas neste ano, segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens Serviços e Turismo (CNC). No varejo restrito, que exclui os ramos automotivo e de materiais de construção, o indicativo é de alta de 3,5%.
  • “Lojas e marcas devem utilizar dados e tecnologias para buscar a humanização”. Esse foi o principal tema abordado no evento “Tendências para o varejo 2020 pós-NRF”, promovido pelo Sebrae/PR. Segundo o coordenador de Comércio e Mercado do Sebrae/PR, Lucas Hahn, a utilização de dados para fidelizar clientes e o uso de tecnologias como inteligência artificial e reconhecimento facial são temas presentes. Mas, é necessário que as marcas humanizem seus serviços.
  • A Via Varejo, administradora das redes Casas Bahia e Pontofrio, anuncia a compra de 80% das ações da Airfox, empresa detentora do banco digital banQi. O Conselho de Administração da companhia aprovou, também, a aquisição de participação adicional das ações do banQi, que, caso seja consumada, permitirá a compra de até 100% da sociedade.
  • A B2W, dona das marcas Americanas.com, Submarino, Shoptime e Sou Barato, anunciou o seu assistente virtual, em parceria com o Google Cloud, que forneceu a plataforma de chatbox Dialogflow. A tecnologia cria interfaces para conversações mais naturais em sites, aplicativos móveis e plataformas virtuais por meio de Inteligência artificial.

Vestuário

  • A Centauro anunciou na quinta-feira, dia 6,  que estabeleceu uma parceria estratégica com a Nike no Brasil. Pelo contrato, a empresa será, por um período inicial de dez anos, distribuidora exclusiva dos produtos da Nike em território nacional, bem como a operadora direta do canal de venda eletrônico da marca.
  • A Lojas Renner anunciou que obteve, em 2019, receita líquida de R$ 8,7 bilhões, um avanço de 13,2%, desempenho bem acima do setor de vestuário e calçados que cresceu apenas 1,1%, no acumulado até novembro, conforme dados do Índice PMC, Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE.

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Mariana Vidal

Especialista de Inteligência de Mercado, uma empresa especializada no desenvolvimento de soluções digitais que vem mudando a forma de se criar negócios digitais de sucesso. Estudante de Economia na UFJF.