Siga-nos nas redes sociais

Eu li recentemente que se pelo menos 10% das mulheres que hoje não tem uma ocupação, isso a nível mundial, trabalhassem, o PIB mundial aumentaria quase 17%. E eu acredito que as mulheres têm que ser mais encorajadas, e no que depender de mim, ao menos as que estão perto de mim, vão ser.

Conte um pouco sobre você e sua trajetória profissional

Meu nome é Lays, tenho 28 anos, minha formação principal é Administração e no meio do curso eu fiz um intercâmbio, que era voltado para Economia. Atualmente, há um ano, eu trabalho no SEBRAE, em Governador Valadares, fazendo atendimento individual a empresários nas empresas.

Antes disso, eu trabalhava em usinas. Trabalhei na CENIBRA e na USIMINAS, em áreas um pouco diferente das que eu estou hoje, em Recursos Humanos e Planejamento Estratégico.

Você ficou em primeiro lugar no Startup Weekend. O que mudou em sua vida profissional depois da vitória?

Na vida profissional e pessoal o que mudou foi o amadurecimento mesmo, uma nova experiência e conhecer pessoas novas. O Startup foi na verdade um desafio, era uma equipe muito plural, pessoas completamente diferentes, cada um com uma ideia. E isso faz com que entre um pouco do ego, com cada um querendo que sua ideia prevaleça.

Antes de entramos em um consenso, pivotamos um milhão de vezes. Um dia antes, ainda estávamos pivotando e validando, vendo o que estava dando errado. Por fim, a ideia vencedora foi consolidada no sábado à noite.

No domingo estava tudo fechado, no meio de uma greve de caminhoneiros, nada estava funcionando direito. Isso nos favoreceu na validação da ideia, já que ela se tratava de transporte sustentável. Acho que a simplicidade do projeto ganhou também o coração dos jurados.

E o que levei foi amadurecimento mesmo, e um pouco mais de aprendizado sobre inovação e empresariado. Lembro que estava no início do trabalho no SEBRAE, e eu tinha apenas uns três ou quatro meses, estava começando a entrar nesse ambiente mais empresarial e mais empreendedor, então, até chegar no SEBRAE, eu só entendia de finanças e investimentos.

Seu projeto tinha um princípio sustentável. Qual a importância de pensar em sustentabilidade ao idealizar o projeto de um empreendimento?

Eu acho que hoje uma pessoa que queira começar um negócio ou um negócio já existente, e que não pensa em sustentabilidade, está literalmente fadada ao fracasso. O empresário que pensa nisso está se antecipando à legislação, porque eu acredito que estamos caminhando para uma situação em que as leis vão exigir que casos de sustentabilidade sejam pensados.

As empresas têm que colocar essas opções de pensar no social, não só no ambiental, porque quando falamos em sustentabilidade, logo pensamos em meio ambiente, mas não é só isso. Sustentabilidade é, principalmente, gerar valor para a sociedade que a empresa está inserida.

É também a empresa trazer para si a responsabilidade de desenvolvimento daquele local, porque no fim das contas, ela é a maior beneficiada. E dentro do planejamento da empresa eu acredito que, para o futuro, é muito estratégico, pois gera valor e traz retorno financeiro, com certeza.

Uma pesquisa realizada em 2018, pela Agência Brasil, revela que 6 em cada 10 brasileiros relatam que nunca ou somente às vezes dedicam tempo ao controle da vida financeira. Como você avalia esse cenário e qual e as importância de se educarem em relação às finanças pessoais?

Tenho certeza que esses que falaram que “quase nunca”, é nunca (risos). Pouquíssimas pessoas fazem controle da vida financeira, infelizmente. E é uma coisa tão simples de se fazer. Eu acredito que o planejamento financeiro é totalmente humanas, porque envolve sonhos, anseios, criação e comportamento.

E as pessoas não fazem, talvez, por determinado medo. Nós crescemos em uma sociedade que não se fala e nem ensina sobre o dinheiro, e ele, por muitas vezes, é até mal visto. Algumas pessoas pensam que quem têm dinheiro o ganhou ilicitamente ou então abdicou da família para ter. E isso, muitas vezes, é verdade mesmo.

Se hoje a pessoa tem um empreendimento de sucesso e consegue gerar uma riqueza considerável para si, além de gerar para empresa, possivelmente ela abriu mão de algumas coisas e de suas prioridades, em algum momento da vida.
Isso não tem problema nenhum, mas uma parcela grande da sociedade ainda vê com maus olhos esses comportamentos.

Eu não tinha muita noção disso e pensar que algumas pessoas não gostavam de falar sobre o dinheiro, me assustava. Sempre gostei de falar e de ganhar dinheiro, mas não tive uma educação financeira adequada dentro de casa.

Meus pais são bem simples e sempre deram as coisas para a gente, mas nunca fomos de muito luxo. Eu estudei em escola particular, mas eu fazia prova para ter bolsa de estudo naquela escola. E tinha ainda algumas escolas que eu trabalhava , por exemplo, estudava de manhã e trabalhava na parte da tarde dando monitoria para os pequenininhos.

Comecei a ganhar meu dinheiro muito cedo, fazendo trabalho para os outros e dando aula particular. Então eu tinha a noção que eu não deveria gastar tudo o que eu ganho, isso para mim sempre foi muito natural. Até que chegou um ponto de convivência profissional que eu via que tinha pessoas que achavam natural entrar no cheque especial para sair, e isso me assustou demais.

Essa questão de falar sobre finanças com as pessoas foi um paraquedas, porque nos meus atendimentos no SEBRAE eu perguntava para o empresário se ele dependia da empresa ou se era a empresa que dependia dele, e a maior parte não tinha controle financeiro nenhum.

E com amigos e conhecidos, eu sempre fui conhecida como pão dura, “a que não come banana para não jogar casca fora”, e comecei a falar sobre dinheiro no Instagram um dia, assim, do nada.

Eu acho que as pessoas não se planejam para não se assustarem. A partir do momento que alguém tem plena consciência do que ganha, em qualquer atitude imprudente, ela será tachada como irresponsável. Porque, se ela sabe que está em determinada situação, não se planeja, gasta e nem pretende fazer nada a respeito, gera um sentimento de incompetência para lidar com o próprio dinheiro, e esse é um sentimento que ninguém gosta de sentir. Mas, talvez, sentir isso impulsione para uma vida melhor depois, e minha ideia é ensinar isso para as pessoas a partir de agora.

Eu criei uma turma de planejamento financeiro presencial, para ter aquele bate papo, tirar aquela dúvidas que talvez a pessoa não vai conseguir tirar no curso. Será aos fins de semana, com uma turma de 5 alunos, cerca de 6 horas, três no sábado e três no domingo, para não ficar cansativo. A ideia é que todo mês tenham essas turmas. A primeira turma foi em Timóteo e o meu plano é montar uma outra aqui em Governador Valadares mesmo.

O preço é acessível, porque não adianta nada eu vender uma informação financeira cara para pessoas que não entendem nada daquilo. Então acho que a gente tem que levar a educação financeira de forma acessível, para as pessoas reconhecerem a importância daquilo e melhorarem as próprias vidas, pois a educação financeira realmente muda a vida de qualquer pessoa.

Qualquer pessoa quando começar a colocar R$ 30,00 no Tesouro Direto, vê uma diferença enorme quando começa as ver os primeiros centavos caindo na conta. E para aguardar informações sobre essa turma de planejamento financeiro pessoal em Valadares, é só me seguir no Instagram.

Quais as dicas você dá para as mulheres que desejam se inserir no mercado de trabalho?

As mulheres que querem sair e colocar a cara no mundo, aprender e trabalhar, precisam se revestir de segurança, não sei se isso é uma questão da nossa cultura ou se é a nível mundial, mas falta bastante segurança ainda. A mulheres não são encorajadas a fazer as coisas, por isso hoje existem muitos movimentos as encorajando.

É muito triste uma mulher querer comprar qualquer coisa e ter que pedir dinheiro. Eu já vi casos de mulheres que continuam em relacionamentos abusivos porque dependem do marido e não podem ir para a casa dos pais. E isso é realmente muito triste.

Então para as mulheres que querem meu conselho é: estudem, busquem conhecimento e eu não falo só de fazer uma faculdade, porque nós temos hoje bastante conhecimento gratuito. Nós estamos em uma era em que você consegue aprender qualquer coisa, basta querer de verdade.

Tenha também segurança do que se pode fazer, conhecer as próprias competências, se é difícil, busque conviver com outras pessoas para descobrir quais são as próprias competências, porque muitas vezes essas mulheres não sabem o que elas realmente fazem de bom.

Nem sabem se aquilo que elas sabem fazer de bom ou se aquilo que elas estão fazendo podem conseguir ser remuneradas. E a partir dessa coragem eu acredito que pode surgir muita coisa interessante. As mulheres movimentam praticamente todo o universo do consumo, quase tudo quem compra é a mulher.

Eu li recentemente que se pelo menos 10% das mulheres que hoje não tem uma ocupação, isso a nível mundial, trabalhassem, o PIB mundial aumentaria quase 17%. E eu acredito que as mulheres têm que ser mais encorajadas, e no que depender de mim ao menos as que estão perto de mim, vão ser.

Links para leitura

Ana Antunes

Especialista de Marketing na GoBacklog, uma empresa especializada no desenvolvimento de soluções digitais que vem mudando a forma de se criar negócios digitais de sucesso. Estudante de Economia na UFJF, apaixonada por inovação e tecnologia.
Fechar