Para ajudar a combater o coronavírus, muitas tecnologias surgiram ou foram aperfeiçoadas pelo mundo. E este movimento teve como protagonista, principalmente, as Health Techs, startups voltadas para o desenvolvimento de soluções no setor da saúde.

Mesmo antes da crise de saúde mundial ser desencadeada, o setor já se encontrava em crescimento. Segundo dados coletados pela Distrito, em 2017 o investimento em Health Techs foi cerca de 29% maior, em relação ao ano anterior.

Além disso, de acordo com a revista Medicina S/A, cerca de 85% dos Hospitais brasileiros planejavam investir em inteligência artificial e outras áreas ligadas a softwares, hardware e serviços de tecnologia e comunicação, em 2019. Fato que aqueceria ainda mais o mercado das Health Techs.

Porém, o cenário do ano de 2020 é totalmente diferente de tudo que foi passado nos últimos anos no mundo. Diversas empresas estão passando por grandes dificuldades, principalmente as médias e pequenas, e vários setores do mercado estão sendo afetados pelas novas condições de trabalho que estão sendo adotadas para o combate ao coronavírus.

Entretanto, em meio a todos os problemas econômicos desencadeados pela crise, o setor da saúde vem se destacando, sendo um dos que mais apresentaram variação positiva no faturamento.

Segundo uma pesquisa realizada pela Compre&Confie, o segmento Health teve uma variação de 111%, ao comparar os períodos de fevereiro e março de 2020 e 2019.

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As Tecnologias no auxílio do combate

Desde o início da pandemia, além de estudos para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos para a COVID-19, muitas empresas focaram no avanço de tecnologias capazes de auxiliar na identificação de pessoas contaminadas e na análise rápida de dados, para facilitar a tomada de decisões e adoção de estratégias por parte dos órgãos de saúde.

De acordo com o co-fundador e CEO da Bright.md, plataforma de atendimento virtual, Dr. Ray Costantini:

Ao testar mais pessoas e compartilhar informações mais rapidamente durante uma epidemia, é mais provável que as autoridades desacelerem uma doença contagiosa, independentemente de sua origem ou gravidade. […] Anos atrás, levaria meses para identificar uma epidemia; agora estamos fazendo isso em dias por causa da tecnologia e da capacidade de fazer análise de dados.

Telemedicina

Algumas tecnologias, mesmo que já existentes, tiveram grande papel no combate a diminuição da contaminação pelo vírus. Na China, a Telemedicina, que já vinha se destacando em território chinês e mundial, pôde ajudar diversas pessoas na identificação de sintomas do coronavírus e na realização de consultas de outros fins.

Segundo estudos, até o final do ano, o setor de Telemedicina valerá cerca de US $ 30 bilhões, somente em território chinês. O país, que já possuía mais de mil empresas direcionadas a este segmento, teve um boom no número de atendimentos online feitos por dia.

A empresa JD Health, com sede em Beijing, tinha cerca de 10.000 teleconsultas diárias, antes da pandemia. Porém, com a explosão de casos de coronavírus na China, e a lotação de hospitais, as consultas online tiveram um aumento de 1400%, passando a ter 150 mil consultas diariamente.

Em uma entrevista concedida a Time, Xin Lijun, CEO da JD Health, disse:

As pessoas desenvolveram o hábito de obter diagnóstico e tratamento on-line. Isso reduz bastante a pressão nos hospitais tradicionais.

Já no Brasil, a Telemedicina gera diversos debates, principalmente se tratando de consultas online, que não eram permitidas pela legislação brasileira até março. Em caráter excepcional, ela foi regulamentada as pressas no país, buscando atender as demandas que surgiram durante a pandemia do coronavírus.

Em um levantamento feito pelo Estadão, com empresas que já forneciam o serviço, mesmo sem o aval do Conselho Federal de Medicina, foi constatado que a demanda pelas teleconsultas tiveram um aumento até de sete vezes em apenas 15 dias.

O Hospital Albert Einstein, que possui iniciativas de medicina online desde 2012, viu o número de teleconsultas saltar de 80 para 600 por dia. Além disso, algumas empresas adaptaram suas plataformas para o fornecimento de consultas online.

A Doctoralia, que fazia marcação online de consultas presenciais, passou a fornecer teleconsultas. Da primeira para segunda semana houve um aumento de 71% no agendamento, saindo de 5.170 para 8.855 consultas online.

Health Tech e Coronavírus O desenvolvimento do setor na crise Telemedicina

Análise de Dados

Para o combate rápido da pandemia em diversos países, como China e Coreia do Sul, os diversos testes e o acompanhamento das tendências de contaminação da doença foram essenciais.

Algumas empresas de TI, dedicadas ao setor da saúde, atualizaram seus softwares para a identificação de padrões do coronavírus e sinais de problemas.

A Athenahealth, empresa americana de aplicativos móveis de assistência médica e de pronto de atendimento, ainda no início da pandemia, adicionou ferramentas de rastreamento do coronavírus em seu Software.

Esses recursos foram disponibilizados para pacientes de ambulatórios e hospitais, fazendo, principalmente, perguntas de triagem, relacionadas a viagens e sintomas, novos conjuntos de pedidos de testes de diagnóstico e comunicações detalhadas do cliente e recomendações de testes.

A Epic Systems, uma das empresas mais conhecidas no ramo da TI em saúde, também atualizou o seu questionário de rastreamento de viagens, baseado nas orientações de combate ao coronavírus dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças americanos, junto a médicos especializados e especialistas em biocontenção.

Esta atualização teria o objetivo de facilitar a identificação de possível necessidade de isolamento social, de acordo com os registros de viagens internacionais e sintomas relevantes, pelos profissionais da linha de frente do combate ao coronavírus.

Ao notificar sobre a atualização do Software, James Doyle, R&D Product Lead da Epic, disse:

Resposta rápida a um surto é fundamental para contê-lo, identificando os pacientes e o tratamento de que necessitam, e protegendo outros pacientes e funcionários.

Wearables

Os Wearables são dispositivos tecnológicos que podem ser usados como peças de vestuário ou acessórios, como relógios e óculos. Eles são capazes de identificar a pulsação e sinais vitais de quem o está usando, o que pode ajudar profissionais da saúde a acompanharem pacientes sem a necessidade de contato.

Na China, o Centro Clínico de Saúde Pública de Xangai, em uma parceria com a VivaLNK, uma empresa americana de soluções tecnológicas para o setor da saúde, passou a usar o sensor de temperatura contínuo no combate a disseminação do vírus.

O Wearable, desenvolvido pela VivaLNK, permite o monitoramento contínuo e em tempo real das alterações na temperatura corporal de um paciente.

Ao invés dos profissionais da saúde fazerem isso com o uso de um termômetro, de hora em hora, o dispositivo desempenha essa ação remotamente e automaticamente, e envia os dados para a estação de enfermagem, para auxiliar o seu monitoramento.

Esse mesmo Wearable também está sendo usado em outros hospitais chineses e, segundo o Centro Clínico de Saúde Pública de Xangai, ele também pode ser usado para monitorar outros sinais vitais dos pacientes, como frequência cardíaca e respiratória.

Startups Brasileiras no combate ao Coronavírus

A evolução no setor das Health Techs não está limitada a países como China e Estados Unidos. No Brasil, muitas empresas estão adaptando os seus negócios e desenvolvendo novos produtos para poder atender as demandas que nasceram com a crise de saúde pública causada pelo coronavírus.

Para mostrar melhor o avanço que o setor sofreu no Brasil, trouxe duas Startups brasileiras que estão trazendo Soluções para o combate ao COVID-19. Confira:

1. Tmed

Desde de 1997 a Tmed atua no desenvolvimento de soluções para o setor Health. O primeiro produto da empresa foi um equipamento de monitoramento da troca de soro em pacientes, o que levou a novas ideias de ferramentas capazes de evitar com que processos hospitalares sofressem com erros.

Atualmente, a empresa presta serviços para mais de mil instituições de saúde, fornecendo um painel de monitoramento que consegue automatizar os processos assistenciais das clínicas e hospitais.

Com o início da pandemia, foi necessário modificar o painel de monitoramento para as novas demandas dos centros de saúde. Com os pedidos voltados para a instalação em UTIs, eles pensaram em modificar uma das funcionalidade do painel, criando uma maneira de avisar e checar o uso de álcool em gel dentro dos leitos.

Além disso, a Tmed planeja melhorar o seu produto através de uma coleta de dados nos mais de mil hospitais e clínicas que eles atendem. O objetivo dessa coleta é alimentar uma inteligência artificial que consiga antecipar o reconhecimento de determinados problemas que podem acontecer nos processos hospitalares.

2. Hi Technologies

A Hi Technologies já desenvolveu diversas soluções para o setor da saúde. A primeira delas foi um sistema de telemedicina pensado para atender UTIs e a segunda, uma ferramenta que poderia ser usada no pulso para fazer a medição de oxigênio do paciente.

Em 2016, eles lançaram o Hilabs, que é um equipamento capaz de fazer testes rápidos de sangue. Esses testes podem detectar doenças, fazer a medição de vitaminas e verificar as concentrações de hCG, o hormônio da gravidez.

O sangue coletado entra em contato com as cápsulas do teste e geram dados, que são digitalizados e enviados a nuvem, onde serão analisados pela inteligência artificial da empresa. Os resultados do exame levam cerca de 10 minutos para serem entregues.

Com o desencadeamento da pandemia causada pelo coronavírus, houve uma necessidade de desenvolvimento de testes que pudessem detectar de forma mais rápida se as pessoas estavam infectadas.

Vendo essa oportunidade e a partir da publicação de um artigo científico chinês falando sobre o desenvolvimento de testes rápidos, a Hi Technologies fez, a partir de equipamentos próprios, um teste capaz de detectar, em 15 minutos, se uma pessoa está infectada.

Em uma entrevista concedida para o Guia das Farmácias, os representantes da empresa falaram sobre a confiabilidade dos resultados:

O teste tem de 97% a 99% de confiabilidade. É preciso que o paciente realize o teste após o sétimo dia com sintomas. Isso porque quanto maior os dias com sintomas, maior a precisão do teste.

Conclusão

O desenvolvimento de soluções tecnológicas na área da saúde não é algo que surgiu a partir da pandemia do coronavírus. Segundo dados disponibilizados no estudo Distrito HealthTech Report, realizado pela Distrito, entre os anos de 2014 e 2019, a quantidade de Health Techs mais que dobrou no país, saindo de 160 para 389 startups.

Além disso, de acordo com dados do Crunchbase, existem cerca de 142 Health Techs com potencial de alto crescimento na América Latina. Sendo que 61 delas são do Brasil, 37 do México, e 21 do Chile.

Grandes centros médicos também estão apostando no desenvolvimento de inovações na saúde. Em 2017, o Hospital Israelita Albert Einstein criou um centro de inovação para Health Techs, o Eretz Bio. E em 2019, o Distrito Inova HC foi criado com o mesmo fim pelo Hospital das Clínicas de São Paulo.

Com o problema enfrentado pela saúde mundial em 2020, o setor pode se expandir, vindo a desenvolver diversas Inovações que, além de ajudarem no combate ao coronavírus agora, ajudarão a solucionar outros problemas futuros.

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Ana Antunes

Especialista de Marketing na GoBacklog, uma empresa especializada no desenvolvimento de soluções digitais que vem mudando a forma de se criar negócios digitais de sucesso. Estudante de Economia na UFJF, apaixonada por inovação e tecnologia.