• As foodtechs são empresas que têm por objetivo propor
    soluções para o setor alimentício.
  • Aliado a rotina corrida das pessoas, novas startups prometem soluções que levam praticidade e conforto para a compra e consumo de alimentos.
  • São diversas tecnologias sendo utilizadas no setor da alimentação, como a inteligência artificial, softwares, sites e aplicativos.

A indústria alimentícia é um dos setores que mais estão crescendo atualmente. A produção de alimentos, os padrões de consumo e a logística dos produtos estão mudando constantemente, sendo agora, impulsionados pela tecnologia e a inovação.

Nesse cenário, o surgimento das FoodTechs tem prometido transformar a dinâmica do setor de alimentos. Hoje, existe uma pressão para que as empresas utilizem as tecnologias mais avançadas para a produção de alimentos, e para a entrega deles.

Tendo que se adaptar às novas demandas que surgem por parte dos consumidores, associados ao novo cotidiano dos mesmos e forma de se alimentarem. Por isso, entenda mais sobre o que são as FoodTechs e como elas podem impactar nas empresas e na vida das pessoas.

O que é FoodTech?

FoodTech é uma cadeia composta por todos as empresas e startups do ramo alimentício que inovam na produção, na distribuição, produtos ou no modelo de negócio. Ou seja, é qualquer tecnologia inovadora aplicada à maneira como os alimentos são produzidos, vendidos ou servidos.

Como as FoodTechs estão mudando o mercado?

Toda essa inovação está criando novas oportunidades de negócio para a indústria alimentícia, e está atraindo grandes investimentos. Segundo o The Food Master, uma instituição britânica, espera-se que o valor de investimento global nas FoodTechs chegue a aproximadamente 240 milhões de dólares até 2022.

Nessa inovação, exemplos não faltam. As soluções vão desde a criação de aplicativos móveis que permitem encomendar comida preparada e receber em casa, até sistemas de sensores que controlam condições necessárias na agricultura ou softwares que auxiliam as indústrias na logística de entrega dos alimentos.

Visando essas diversas possibilidades, o número de investidores quase que triplicou nos últimos anos, assim como vem atraindo o interesse de grandes marcas e empresas. Como Bill Gates e Jeff Bezos, que já garantiram seus aportes em promissoras FoodTechs pelo mundo.

Em um futuro próximo, a influência das FoodTechs estará por trás de tudo o que comemos, e da forma em que comemos. Com alimentos mais saudáveis, uma produção mais transparente, e sistemas mais eficientes dos canais de distribuição, as startups podem oferecer produtos preexistentes melhores ou até mesmo criar novos produtos, ampliando o mercado.

Com o crescimento dessas startups no mercado internacional, o Brasil não fica para trás. Mais de 50% da balança comercial brasileira corresponde ao segmento de alimentos, movimentando, segundo dados da ABIA (Associação Brasileira de Indústria e Alimentos), mais de R$600 bilhões por ano.

Em um mapeamento feito pela Liga Ventures, foram contabilizadas 332 startups que possuem suas atividades voltadas para alguma solução no setor de alimentos. Sendo que, 11 dessas empresas são consideradas unicórnios, sendo a principal delas o Ifood.

De fato, as novas gerações abrem cada vez mais um leque de oportunidades para as empresas que desejam investir nesse ramo. Com um estilo de vida diferente, baseiam suas alimentação conforme a sua rotina, buscando cada vez mais conveniência e praticidade, além de exigirem cada vez mais soluções saudáveis.

Novas formas de empreender no setor da alimentação

No levantamento realizado pela Liga Ventures, as startups foram agrupadas em diversas atividades, que abordam toda a cadeia produtiva dos alimentos, desde a produção a entrega final ao consumidor.

Separamos algumas dessas principais atividades econômicas, e que representam a maior parte dos investimentos destinados às FoodTechs no Brasil, assim como a maior parte das startups que atuam no setor de alimentos. Confira:

Gestão do Varejo

Uma dos ramos mais promissores são as startups que estão inovando e melhorando a forma como os grandes varejistas cuidam de seus negócios. A criação de softwares que auxiliam o controle de estoque, localização, entrega dos alimentos, e comunicação com os clientes estão em alta.

Hoje, o que se vê são grandes empresas recorrendo às startups em busca em busca dessas melhorias para que possam se adequar ao mercado. Sendo destaque as redes de supermercado, que tem usado cada vez mais da tecnologia para não perderem espaço no mercado.

De acordo com dados da Brasil Supermercados Online (BSO), até 2023, o setor de supermercados estará faturando R$ 48,65 bilhões apenas no e-commerce.

E para isso é necessário ter uma boa gestão comercial, para reunir definições sobre os pontos de contato com o cliente (webstore, totens nas lojas físicas, call center, drive-thru, aplicativos mobile etc) e apresentação dos produtos no site.

Além claro, da criação das mais variadas formas de canais de comunicação e de vendas que estão sendo implementadas no varejo para facilitar o oferecimento de produtos ao consumidor.

Logística e Entrega

A logística e transporte de bebidas e alimentos enfrenta desafios complexos diariamente. Afinal, esta área engloba muito mais do que transporte de produtos. E por isso, muitas empresas já estão empenhadas em traçar soluções eficientes para esse ramo.

Em uma entrevista, Marcelo Zeferino, especialista em logística da Prestex,ressalta que falta inovação e novas tecnologias no setor, além de chamar a atenção para as empresas que ainda atuam com estruturas antiquadas.

e o pessoal da logística, atolado em planilhas de controle, remendando falhas operacionais da logística convencional e correndo atrás de KPI’s impossíveis de se atingir, que nem ao certo sabem como foram parar ali. Falta diálogo, tecnologia e muito planejamento.

Um exemplo de inovação para as industrias, são os sistemas usados por distribuidoras, que calcula com exatidão a quantidade e em quanto tempo o transporte deverá ser feito, além de conseguirem acompanhar a rota dos transportes em tempo real. Tudo isso feito através de sistemas integrados, que otimizam toda a cadeia produtiva.

Outra categoria cada vez mais comum utilizando o segmento de entregas são as startups que fazem a intermediação do lojista ao consumidor. Uma das mais conhecidas é a startup Rappi, que faz a entrega de produtos que são comprados online ou refeições prontas de restaurantes.

Marketplace de alimentos e Delivery

O mercado de delivery e vendas pela internet tem desempenhado um papel muito importante para o setor de alimentação. E possivelmente é o que mais tem faturado no setor de alimento nos últimos tempos.

Segundo o App Annie, em 2018 os consumidores fizeram 194 bilhões de downloads de aplicativos em todo mundo. Sendo que, nos últimos dois anos, o número de downloads dos 5 principais aplicativos para pedir comida em cada país mais que dobrou.

A consulta ágil ao cardápio, e os mais diversos tipos de produtos, trazer a comodidade de resolver tudo em um clique e com muita praticidade, já que essas empresas tendem cada vez mais a facilitar a forma de pagamento dos seus consumidores.

No Brasil, 38% dos pedidos de comida são feitos online, seja por um aplicativo ou site, movimento muitas empresas de entrega, restaurantes e supermercados. Segundo uma previsão da Statista, o segmento deve faturar mais de US$ 2 milhões em 2020, porém podemos esperar uma alta nesses números, dado a atual situação.

Somente nese primeiro período de 2020, o faturamente no serviço de delivery aumentou mais de 15% no faturamento em relação ao mesmo período no ano passado.

Os números impressionantes mostram a força de mercado que esse segmento tem alcançado nos últimos anos. Sendo ele, o que mais recebe aportes de investimentos, e hoje comandado por gigantes como o Ifood e a UberEats.

Promoção no Varejo

Junto com a ascensão de um setor, vão surgindo à sua volta diversas empresas que enxergam oportunidades de criar novos modelos de negócio.

Visando a dificuldade que as empresas que estão inseridas em um marketplace tem para se diferenciar das demais. E de outros restaurantes e bares que atuam online tem para atrair novos clientes, o uso de cupons tem revolucionado a maneira de se fazer promoções.

Novas startups vão surgindo, e encontram no setor de alimentação um grande potencial para fazer seus negócios crescerem. Tendo grande parte de suas operações voltadas para o supermercados e restaurantes, oferecendo possibilidades de maior possibilidades e vendas.

O modelo de cashback também tem sido usado por empresas em busca de fidelizar clientes ao oferecer a eles carteiras virtuais. Aplicativos de entrega de comida, como Rappi, iFood e Uber Eats, são os que mais se destacam nesse quesito.

Em uma entrevista para a Forbes, o diretor da ABComm, diz que:

As empresas estão adotando o cashback para incentivar clientes a adquirirem um novo hábito: o uso de suas carteiras virtuais. Assim, ganham vantagens e também desempenham um papel na transação, fazendo rolar o dinheiro.

Novos canais de venda

O aumento da participação das empresas nos canais digitais e omnichannel é inevitável. Porém, o maior desafio para o varejo de alimentos é a integração entre os canais físicos e digitais, buscando formas de servir melhor o cliente.

A britânica Tesco, é uma das maiores varejistas de alimentos no mundo e a primeira em venda de alimentos online. A empresa permite a compra online e a retirada em loja e também implantou quiosques digitais em lojas para possibilitar a compra via internet de produtos não expostos ou indisponíveis.

Além de outras soluções simples, mas que muitas vezes são eficientes, é utilizada pelo Carrefour no Brasil, onde o cliente pode fazer suas compras pela internet e buscar em uma loja da franquia com hora marcada por um sistema de drive thru.

As empresas que trabalham com alimentos precisam se adequar a demanda, e a falta de tempo dos consumidores em enfrentarem filas, ou correr o risco de não encontrar determinado produto. Oferecer vários canais de compra facilita a rotina de todos no cotidiano.

Inteligência artificial e Big Data no setor de alimentação

A varejista e líder global na venda de fast food, Mc Donald’s, adquiriu uma companhia israelense para inserir o uso de Inteligência Artificial e Big Data nas suas operações.

A aquisição visa utilizar dessas tecnologias para oferecer um atendimento personalizado aos clientes. A intenção é personalizar os cardápios apresentados por eles, para que possam oferecer produtos de acordo com o clima, que estão em alta no consumo, e que esteja de acordo com o gosto dos cliente.

Todas as informações vão sendo coletadas de acordo com os pedidos que vão sendo realizados em suas lojas, e aplicativos de delivery.

Adotar uma cultura baseada em dados também é importante para ajudar o McDonald’s a entender melhor o desempenho de cada restaurante, já que ele funciona pelo sistema de franquias, e descobrir práticas recomendadas que podem ser compartilhadas com outros restaurantes da cadeia.

O Mc Donald’s mostra que a tecnologia pode ser usada de diversas formas para aprimorar o atendimento ao cliente, expandir a sua linha de produtos e até mesmo para estar um passo a frente de seus concorrentes.

Mesmo que as inovações não precisem de fato serem disruptivas, é necessário bastante empenho e criatividade para fazer da tecnologia uma aliada na sua empresa.

Conclusão

Há em andamento uma verdadeira revolução tecnológica, em que empresas estão desenvolvendo soluções para substituir os processos convencionais e ultrapassados, que a indústria alimentícia ainda se encontra.

As FoodTechs não são uma moda passageira. Se as empresas nascem para resolver um problema do mundo ou uma dor no mercado, o setor de alimentação tem muitas questões a serem sanadas e é um mercado extremamente promissor.

As pessoas estão cada vez mais empenhadas em buscar soluções cada vez mais práticas para se alimentar, ou realizarem suas compras. No meio disso, surgem diversos gargalos que podem ser solucionados, ou até mesmo ideias de negócios que podem surgir a partir dessas necessidades.

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Eduarda Terra

Especialista de Marketing na GoBacklog, uma empresa especializada no desenvolvimento de soluções digitais que vem mudando a forma de se criar negócios digitais de sucesso. Estudante de Economia na UFJF.