A fim de aumentar a conscientização sobre o papel da criatividade e da inovação na solução de problemas, em 2017, a Organização das Nações Unidas (ONU) elegeu o dia 21 de abril como Dia Mundial da Criatividade e Inovação.

Tendo apoio de 80 países, a data oficial não só celebra a criatividade em todo o mundo, como se estende à uma comunidade global que busca investir no desenvolvimento de todas as esferas sociais.

Foi promovendo a criatividade e inovação que muitas empresas encontraram soluções reais para desafios que se depararam, como o atual surgimento da Crise do Coronavírus, que vem demandando soluções no âmbito econômico, empresarial, social e cultural.

Tais empresas promoveram a usabilidade de seus usuários, considerando a impossibilidade de um contato direto e mostraram que soluções digitais, apesar de se constituírem de um componente tecnológico, se constrói de pessoas e promove a vida delas. Como pontuado por Lucas Foster, idealizador do Dia Mundial da Criatividade:

Em janeiro de 2030, a pandemia da Covid-19 terá completado 10 anos. Quais fatos ficarão guardados na memória das pessoas que viveram uma das maiores crises de saúde pública do século XXI?

Certamente, através de soluções inovadoras de base tecnológica, muitos negócios não só facilitaram sua permanência nesse cenário, como ajudaram a solucionar problemas de seus usuários. Para comemorar essa data e valorizar a inovação nesse momento, elegi 7 empresas que estão inovando durante o atual cenário que vivemos:

1. MRV Engenharia

No Brasil, a Engenharia Civil deu seus primeiros passos no período colonial. Mas foi na década de 1940 que o setor teve seu considerado auge, em razão do País ter sido um importante detentor da tecnologia do concreto armado.

Unir algo tão consolidado historicamente com a tecnologia, que teve sua maior ascensão nas duas últimas décadas, foi o que a MRV fez. A construtora possui como princípio a procura por soluções criativas e estratégias inovadoras.

Em um momento onde foi preciso reinventar as maneiras de convivência, a MRV lançou a campanha #FiqueEmCasa e preparou seus canais digitais para que a busca pela compra dos apartamentos e o processo de documentação fossem feitos de maneira totalmente online.

O investimento na experiência do usuário foi possível através da digitalização de seus processos, que ocorrem desde a escolha do apartamento ao acompanhamento das obras.

Como resultado, mesmo com fechamento de seus stands de vendas e adiamento de lançamentos previstos para o primeiro trimestre, a companhia reportou um aumento de 28% em suas vendas, em comparação aos três primeiros meses do ano passado.

A MRV, que se encontra entre as 10 empresas mais inovadoras do Brasil, de acordo com a Forbes, conseguiu reduzir os impactos da crise em seu negócio não só ao reinventar uma forma segura de estar ao lado de seus clientes, como pelo fato de ter estabelecido a inovação como um de seus valores, possuindo este atributo inerente ao negócio.

2. Claro, Oi, TIM e Vivo

Em um momento onde a conexão à internet se tornou ainda mais essencial, seja para o trabalho home office ou para a comunicação entre parentes e amigos, as maiores empresas de telecomunicação e principais fornecedoras de internet banda larga do País lançaram uma campanha conjunta, assegurando a conexão de seus usuários, sem que precisem sair de casa.

A necessidade de as pessoas se isolarem fez com que as companhias abandonassem, ainda que temporariamente, a competição. Desse modo, mostraram estar unidas em um cenário onde foi necessário a reformulação do fornecimento de seus serviços.

Juntas, as empresas somaram esforços para garantir que seus usuários trabalhem, estudem e tenham seus momentos de entretenimento, mesmo que à distância e enquanto houver a orientação de isolamento social.

Dentre as medidas adotadas pelas empresas – Vivo, Claro, TIM e Oi – está o atendimento 100% digital, disponibilização de suporte técnico virtual, liberação de canais da TV por assinatura, bônus de internet e isenção de franquia para acessar os aplicativos oficiais do Governo e autoridades sanitárias.

Assim, o movimento #FiqueBemFiqueEmCasa gerou a conexão das companhias concorrentes para que seus usuários também pudessem permanecer conectados.

3. GetNinjas

Profissionais autônomos são um dos mais afetados durante o atual cenário de isolamento social.

Para que os 1,5 milhões de profissionais cadastrados no aplicativo pudessem continuar seus trabalhos na quarentena, a startup GetNinjas, uma intermediadora de serviços autônomos, lançou o Ninja Remoto, uma plataforma que possibilita a contratação de pequenas assistências por vídeo ou ligação.

Segundo Eduardo L’Hotellier, fundador do GetNinjas, a plataforma é uma forma de continuar ajudando clientes a resolverem pequenos problemas domésticos, assim como ajudar profissionais a se manterem ativos durante essa crise.

A startup, que já vinha orientando a oferta desses serviços à distância, criou a nova plataforma para a recém-adquirida modalidade de serviço.

Após selecionar o serviço desejado, a empresa conecta o cliente a um profissional e faz o repasse dos contatos, para que a combinação entre as partes seja feita via WhatsApp, incluindo, o pagamento.

4. Stella Artois, Nestlé e Nespresso

Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, houve uma queda de 80% do faturamento desses estabelecimentos desde que houve a recomendação que as pessoas ficassem em casa, o que afeta diretamente a geração de caixa, sobretudo, dos pequenos e médios negócios.

Pensando nisso, a Stella Artois criou o movimento Apoie Um Restaurante, com a intenção de doar dinheiro a estabelecimentos, a partir de uma plataforma desenvolvida em parceria com a startup ChefsClub. Logo, as marcas Nestlé e Nespresso também se agregaram ao movimento, dando continuidade à iniciativa.

O movimento, inicialmente, buscava reunir mais de 1.000 estabelecimentos do setor alimentício na plataforma, em um âmbito nacional. Após a grande adesão, foram disponibilizados um total de 100 mil vouchers, podendo beneficiar não só restaurantes, mas também bares, cafeterias e confeitarias.

A ajuda aos estabelecimentos se dá pela compra do cliente de um voucher com 50% de desconto, que poderá ser usado quando ele for reaberto. A Stella Artois, Nestlé e Nespresso, arcam com o valor da outra metade e, assim, o estabelecimento arrecada receita ainda que esteja de portas fechadas.

A Stone, fintech brasileira, também faz parte do movimento, e está atuando na parceria realizando transações sem cobrança de taxas e transferência imediata do valor dos vouchers para os restaurantes.

5. Magazine Luiza

O Magazine Luiza lançou uma plataforma digital gratuita denominada de Parceiro Magalu, o projeto que estava sendo planejado para operar em cinco meses, após as indicações de isolamento social, foi executado em cinco dias.

Segundo Frederico Trajano, CEO do Magalu, a crise acelerou o desenvolvimento do projeto, e o fizeram em cinco dias mesmo sabendo das instabilidades que poderiam enfrentar, mas era um risco que acharam preciso correr. Frederico Trajano ainda conta:

Digitalizar o varejo e os brasileiros faz parte da nossa estratégia de negócio e do nosso propósito como empresa — e ele nunca se mostrou tão necessário quanto nesses tempos que estamos vivendo.

A plataforma digital de vendas visa ajudar autônomos, micro e pequenos varejistas a continuarem a vender mesmo durante a crise. Tendo acesso aos 20 milhões de clientes do Magazine Luiza, os pequenos comerciantes podem oferecer seus produtos tanto no site, como no aplicativo da companhia.

Segundo um levantamento feito pela empresa, dos 5 milhões de comércios varejistas existentes no Brasil, apenas 1% atuam no comércio digital.

Desse modo, a nova plataforma visa permitir que pequenos varejistas que ainda não possuem uma presença digital possam montar, de maneira simples, suas próprias lojas virtuais, uma estratégia que se mostrou grandemente necessária no período da quarentena.

6. Samba Tech

A Samba Tech, uma plataforma on-line para transmissão e distribuição de vídeo, é considerada uma das startups mais promissoras e inovadoras do mundo, e garante infraestrutura para venda, distribuição, gerenciamento e armazenamento de vídeos.

Buscando minimizar o impacto causado pelo coronavírus no ensino brasileiro e promover a continuidade do ensino no país, a Samba Tech disponibilizou gratuitamente sua plataforma de streaming ao vivo e educação à distância para escolas e instituições públicas, enquanto durar o período de isolamento social.

A startup também colocou seu time à disposição para dar assistência à empresas e instituições privadas que necessitem de recursos para transmissão ao vivo, plataforma de educação à distância e demais ferramentas que possam contribuir na instrução das aulas.

7. Nike

Através da base de dados do seu aplicativo de treinamento na China, a Nike identificou um quarteto de pilares estratégicos à varejistas mundiais:

  • Contenção, determinada pelo fechamento de lojas em larga escala;
  • Recuperação, quando as lojas abrirem novamente;
  • Normalização, através do retorno à condições pré-crise;
  • Crescimento de vendas.

Para reverter a queda das ações da companhia, a Nike utilizou seus canais de comércio eletrônico para mitigar os efeitos do impacto gerado à empresa. A estratégia de fortalecimento digital gerou uma expansão de 36% das vendas em seu comércio eletrônico, durante o primeiro trimestre da pandemia.

Enquanto todas suas lojas físicas estavam fechadas, a Nike impulsionou suas operações on-line, ativando maneiras digitais de estabelecer a conexão com seus clientes. John Donahoe, CEO da Nike, definiu:

O que estamos vendo [..] é que a experiência digital/física contínua está respondendo ao que os consumidores querem.

Seu ecossistema de aplicativos digitais foram aproveitados, assim como a rede de treinadores especialistas da empresa, para que os cadastros nos aplicativos fossem acelerados, aumentando o engajamento dos treinos no aplicativo Nike Training Club.

Apenas na China, o número de usuários ativos semanalmente em todos os aplicativos de atividade da Nike subiu 80%, gerando uma receita de US$ 10,1 bilhões no final do primeiro trimestre, o que estava totalmente fora do esperado.

A capacidade digital da Nike foi responsável pelo gerenciamento dos efeitos do vírus sobre o negócio, mostrando que é no ambiente digital que toda a capacidade de retomar o crescimento da empresa está. Conforme disse Sam Poser, analista da Susquehanna, sobre a empresa:

A força da marca, sua perícia digital […] permitirão que a empresa saia ainda mais forte dessa crise do que quando entrou nela.

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Mariana Nathali

Sales Development Representative na GoBacklog, uma empresa especializada no desenvolvimento de soluções tecnológicas que vem mudando a forma de se criar negócios digitais de sucesso. Estudante de Administração na UFJF-GV.