• As Edtechs buscam transformar a educação, tornando-a mais acessível, interativa e facilitada.
  • As dificuldades dos alunos podem ser contornadas através de tecnologias especializadas.
  • A Gamificação pode ser uma ótima forma de tornar os alunos mais participativos e interessados.
  • As soluções digitais são capazes de ajudar não somente os alunos, mas também os professores.

A educação é um dos temas mais discutidos e falados dentro de uma sociedade, sendo de grande importância para a evolução de todos os aspectos sociais. Dessa maneira, criar soluções digitais que conseguem atender os problemas existentes no setor educacional é um grande desafio, mas uma ótima oportunidade de negócio.

O mercado das Edtechs tem ganhado grande notoriedade nos últimos anos, e é preciso estar atento aos seus resultados e como ele vem se desenvolvendo. Por este motivo, reunimos neste artigo todas as características do setor, explorando desde a sua explicação, o panorama do seu mercado e as tecnologias mais utilizadas no setor educacional.

EdTech O que é e como ela vem inovando o mercado da educação - O que é edtech

O que é Edtech?

Uma Edtech pode ser definida como a fusão de dois mercados: educação e tecnologia. De maneira mais detalhada, são novas empresas que incorporam o uso da tecnologia nos métodos de aprendizagem ou no gerenciamento das instituições, seja ele através de produtos, softwares, aplicativos ou outras ferramentas.

Panorama de mercado

De acordo com a Metaari, o montante de investimento em tecnologias em algum método de aprendizagem, ultrapassou US$16 bilhões em 2018, sendo esses investimentos liderados por China e Estados Unidos. E, aliado a isso, a relação de negócios envolvidos no setor apresentou números expressivos, sendo que 1.087 empresas obtiveram investimento.

Em um relatório realizado pela EdTechXGlobal, em parceria com a IBIS Capital, no ano de 2016, foi divulgado que o mercado cresceria, até 2020, cerca de 17% ao ano, chegando em US$252 bilhões neste ano.

Outra questão levantada pelo relatório, trata do crescimento populacional e de como ele será um desafio para o setor. A previsão é que até 2035 haja cerca de 2,7 bilhões de estudantes em todo o mundo e as empresas precisam estar preparadas para comportar a demanda tecnológica dentro do setor educacional.

Entretanto, no mundo todo a educação ainda é considerada um mercado difícil para alcançar retornos de escala para os investidores. As Edtechs enfrentam desafios como o acesso a venda para as instituições escolares, mas é um mercado que ainda há muito a ser explorado.

Características do mercado brasileiro

Em um mapeamento divulgado pela CIEB (Centro de Inovação para Educação Brasileira) em parceria com a ABStartup, podemos identificar que o mercado brasileiro de Edtech está em evidência.

Principalmente porque as empresas que trabalham com educação ou algum método de aprendizagem se diferenciam de outros segmentos de mercado, por ter grande responsabilidade social e gerar impactos significativos sobre o meio no qual fazem parte.

Em um report divulgado pela Distrito, foi divulgado que no ano de 2019 havia cerca de 432 startups relacionadas com algum processo educativo, sendo que a maioria delas são voltadas para ferramentas usadas nas instituições, tanto para a gestão como para ferramentas usadas em sala de aula.

Outro dado interessante é que mais de 60% das Edtechs se concentram na região sudeste do país, e grande parte dessas empresas são consideradas pequenos negócios. Por conta disso, esse mercado se torna uma boa oportunidade de negócio, pois possui grande possibilidade de expansão.

Mas, apesar do seu potencial, o setor também enfrenta muitas barreiras no mercado brasileiro. Segundo Mairum Andrade, gerente de tecnologias educacionais do CIEB, o mercado brasileiro se depara com alguns desafios que precisam ser superados:

O primeiro é que se trata de um mercado em que mais de 80% das escolas de ensino básico são públicas, e a aquisição ou a contratação de tecnologia pelas redes públicas de ensino ainda é muito baixa, pouco estruturada e muito burocratizada. O segundo motivo é a mudança de cultura dos educadores, pois a inserção da tecnologia na educação requer novas formas de ensino.

Quando uma instituição busca renovar seu capital tecnológico, estando por dentro das novas tendências do mercado e de novos métodos de ensino, está automaticamente avançando mais do que as empresas que não o fazem. Isso gera uma vantagem competitiva frente às outras instituições.

EdTech O que é e como ela vem inovando o mercado da educação- Caracteristicas do mercado brasileiro

Tendências do setor

Algumas tecnologias estão se destacando no mercado pela forma que conseguiram inovar e melhorar a eficiência nas instituições. Elas podem ser aplicadas em diferentes ramos, na educação básica, à distância e também na educação corporativa, visto o quanto as empresas buscam, atualmente, capacitar seus colaboradores.

Levantamos algumas dessas tendências relacionadas à recursos tecnológicos em sala de aula e quais as experiências de seu uso na prática:

  • Aprendizagem imersiva
  • Big Data
  • Inteligência artificial
  • Gamificação
  • E-learning
  • Plataformas digitais

1. Aprendizagem imersiva

O principal objetivo desse método de aprendizagem é colocar o estudante no centro do ensino e isso ocorre pelo o que chamamos de imersão. Essa imersão acontece em razão de estímulos visuais, sonoros e até táteis.

Esse tipo de metodologia vem ganhando força a partir do pressuposto de que os métodos de ensino se tornam mais eficientes à medida que promovem o desenvolvimento e estimulam habilidades necessárias para um bom desempenho dos alunos.

Geralmente, as atividades ocorrem através de ferramentas multimídias, como jogos, aplicativos, softwares, acessórios de realidade virtual, etc. Uma dessas funcionalidades, que já está sendo bastante utilizada, é a realidade aumentada. Nela, o ambiente físico é transportado para o ambiente virtual.

Um artigo publicado pelo Journal of Science Education and Technology, mostrou que o uso da robótica em sala de aula melhora o processo de aprendizagem dos alunos em matérias como matemática e engenharia.

Sua aplicação é bastante acessível, geralmente feita pela leitura de QRCode em aplicativos, dando, aos gestores, acesso a uma enorme variedade de programas a serem utilizados, ou construídos de acordo com necessidade dos alunos.

2. Big Data

O uso da análise de dados na educação é chamada de learning analytics, e pode oferecer aos educadores e gestores de uma instituição de ensino, uma visão mais profunda acerca do processo institucional. Dados como faixa etária, renda, notas, frequência, evasão escolar, podem gerar insights que melhoram a gestão escolar.

Hoje, já existem algumas plataformas que trabalham com esse tipo de análise no mercado. A Tuneduc, por exemplo, é uma empresa especializada na coleta de dados educacionais, que são reunidas por plataformas online e geram resultados para melhores decisões.

Para Ricardo Madeira, professor de economia da FEA/USP e sócio fundador da Tuneduc, esses dados são muito importantes para o setor:

Com essas devolutivas em mãos, dá para fazer uma análise minuciosa dos resultados e pensar em estratégias para melhorar os pontos deficitários.

São muitas as vantagens ao aderir esse tipo de análise, com a possibilidade de monitorar quanto tempo os alunos demoram a responder uma pergunta, por exemplo, os relatórios podem sugerir a área de interesse dos alunos, e a partir dessa análise gerar programas de ensino personalizados para cada área.

Todas essas métricas podem ser usadas, principalmente, para diminuir a evasão escolar, com o monitoramento constante do aluno é mais fácil mantê-lo engajado nas suas atividades e extrair um maior aproveitamento.

EdTech O que é e como ela vem inovando o mercado da educação- Big data

3. Inteligência Artificial

Em um relatório elaborado pelo SESI e pelo SENAI, foi abordado quais as tecnologias educacionais, baseadas em inteligência artificial, que serão usadas até 2030. Segundo o documento, até lá, algumas tecnologias já deverão estar difundidas em até 50% das escolas, sejam elas públicas ou privadas.

Entre as tendências citadas, está o uso do Sistema Tutorial Inteligente (STI), a ferramenta identifica se o aluno adquiriu conhecimento sobre o tema ensinado e qual sua emoção ao resolver aquele problema. O sistema permite saber qual a melhor estratégia pedagógica a seguir com cada aluno.

Outra solução citada pelo documento é o Processamento de Língua Natural (PNL), em que o computador interpreta a linguagem humana. Esse sistema pode contribuir cada vez mais com o intercâmbio entre alunos de nacionalidades diferentes e para a transmissão em tempo real de aulas em línguas distintas.

Por fim, a computação em nuvem, um acesso compartilhado de dados e conteúdos, também é citada pelo documento. Segundo a previsão feita no estudo, até o fim deste ano, 11% a 30% das instituições já devem utilizá-la. E, até 2030, seu uso já seja comum em cerca de 70% das instituições.

4. Gamificação

A gamificação consiste em utilizar jogos para o processo de aprendizagem, ela funciona para despertar o interesse e a participação dos estudantes, além de desenvolver a criatividade e autonomia entre eles.

Um jogo que é muito utilizado na sala de aula, atualmente, é o Manecraft, um jogo virtual, de construção com blocos. Mesmo não sendo um jogo especificamente educativo, ele consegue ajudar no desenvolvimento criativo e espacial dos alunos.

Existem também diversas plataformas que disponibilizam jogos institucionais e voltados especificamente para cada tipo de estudante, de acordo com as dificuldades, faixa etária, matérias e outras características específicas. Um exemplo é a plataforma Mangahigh, que possui jogos interativas para o aprendizado em matemática.

Atento ao cenário dos jogos, o SENAI buscou uma forma de introduzi-los nos materiais didáticos de seus alunos. Logados em um aplicativo próprio, os alunos acessam conteúdos que são selecionados pelos professores e realizam suas atividades em forma de jogo virtual. Eles são premiados com medalhas e podem até compartilhar as conquistas nas redes sociais.

5. E-learning

O método de ensino E-learning consiste na aprendizagem eletrônica, ou seja, é um método de ensino que tem a internet como principal ferramenta para seu funcionamento. Ele possui ambientes virtuais de aprendizagem que são usados para a comunicação, distribuição de materiais e conteúdos online.

O ponto principal de uma plataforma E-learning é a possibilidade de que seja feito a interação entre o aluno e o professor totalmente a distância. Caso existam aulas presenciais é chamado de blended learning, ou seja, é a junção dos dois métodos de ensino .

As plataformas são feitas através do LMS (Learning Management System), que é um software utilizado para criação de cursos online, mas que auxilia no gerenciamento dos cursos, dos participantes e dos resultados gerados.

Hoje, podemos dizer que o ensino a distância já é algo comum e tem tudo pra crescer ainda mais, principalmente nas redes de ensino superior. Visto que os seus benefícios e vantagens estão alinhadas com a nova realidade da educação e com o novo perfil dos alunos.

EdTech O que é e como ela vem inovando o mercado da educação- E-learning

6. Plataformas digitais

Uma das principais tendências são as plataformas de ensino criadas pelas instituições para o uso interno. Essas plataformas geralmente servem como canais de comunicação entre professores e alunos.

Além disso, elas podem auxiliar no armazenamento e compartilhamento de dados, e na facilitação de que alguns serviços, como efetuação de matrículas e pedido de alguma documentação no ambiente online.

Para as empresas que desejam obter alguma plataforma educacional, o processo de implementação pode ser demorado e cheio de adaptações. É preciso ter uma estrutura web adequada para que o sistema funcione corretamente, assim como colaboradores para constante atualizações.

Desafios para o uso da tecnologia na educação

Um dos maiores desafios encontrados é o receio que os professores, ou até mesmos os gestores de uma instituição, possuem no processo de inclusão de uma tecnologia. Para isso é importante entender que a tecnologia não é usada para substituir a sala de aula, mas para auxiliar no processo de aprendizagem.

Para tratar dos desafios que são encontrados na implementação de tecnologias, usamos como base uma pesquisa realizada pelo instituto “Todos pela Educação” em parceria com outras instituições. Ela mostra que 55% dos professores do ensino público utilizam alguma ferramenta digital em sala.

E que os fatores que mais os limitam para que possam expandir as atividades é a falta de infraestrutura e a falta de formação adequada. Principalmente porque esses recursos precisam de suporte e, por isso, as vezes a falta de infraestrutura dificulta o monitoramento e uso dos recursos.

Os resultados também mostraram que os docentes estão dispostos a usar tecnologia digital em sala e que, havendo ferramentas relevantes para o desenvolvimento dos trabalhos, com as condições adequadas de uso, há um enorme potencial pedagógico para se atingir com o uso dos recursos tecnológicos.

Outro desafio encontrado é que muitos docentes apontaram que o uso dos recursos tecnológicos causam uma sobrecarga em suas rotina, esse acúmulo de atividade está principalmente ligado na seleção de materiais para as aulas, aplicação de provas, acompanhamento dos alunos.

Então, é muito importante que antes de decidir a viabilidade da implementação de uma tecnologia, fazer as escolhas certas sobre quais ferramentas irão de fato auxiliar os professores no ensino, para que sirva como suporte para que eles otimizem sua rotina.

Conteúdos sobre Edtech

Alguns sites realizam alguns estudos sobre o setor da educação, trazendo dados de investimento no setor, e quais são as novas tendências do mercado. Confira mais sobre as Edtechs em algum desses artigos:

Conclusão

Como é possível perceber, o mercado das Edtechs ainda vai causar muitas mudanças no setor educacional, e são muitas as vantagens que elas trazem para as instituições. Principalmente por conseguirem otimizar o tempo e o custo gasto com a gestão e aplicação do conteúdo, alcançando resultados melhores.

Um dos desafios a ser superados no Brasil é que muito dos alunos se encontram na rede de ensino pública, cerca de 85%. E, por conta da falta de investimentos governamentais em soluções digitais destinas a educação, muitas empresas não conseguem vender seus produtos ou prestar seus serviços às escolas.

No entanto, é um mercado com muitas possibilidades e com espaço para novas ideias. Sendo assim, vale a pena investir em soluções personalizadas e ter sempre a tecnologia ao lado para potencializar o ensino e o relacionamento das instituições com os alunos.

Links para Leitura

Eduarda Terra

Especialista de Marketing na GoBacklog, uma empresa especializada no desenvolvimento de soluções digitais que vem mudando a forma de se criar negócios digitais de sucesso. Estudante de Economia na UFJF.