• As empresas de tecnologia estão cada vez mais avançando para outros setores da economia, levando soluções tecnológicas e inovações.
  • O setor da construção, que se encontra estagnado nos últimos anos e sem grandes alterações nas taxas de crescimento, vêem nas novas empresas soluções que prometem o aumento da produtividade.
  • A criação de canais de comunicação e gerenciamento entre os gestores e os canteiros de obra são a nova aposta do mercado.

Atualmente, as empresas de tecnologia estão observando as empresas voltadas para os setores industriais, por quase sempre possuírem muito capital. E o setor da construção, um dos mais tradicionais da economia, vem abrindo espaço para as novas startups e ao avanço que elas podem oferecer.

Para isso, as empresas que estão entrando no mercado prometem soluções para que possam tornar os processos que envolvem o setor da construção mais eficientes e simplificados, visando aumentar a produtividade.

Ao implementar soluções como softwares avançados, hardwares focados na construção e recursos de análise, essas empresas inovadoras estão eliminando muitos dos problemas que afetam o setor há anos.

Saiba mais sobre como a tecnologia está mudando o setor da construção, através das Construtechs.

O que é Construtech ?

As Construtechs são startups que implementam tecnologia no setor da construção civil. Ou seja, são empresas que atendem a demanda tecnológica em toda cadeia de valor da construção antes, durante e depois da realização de um empreendimento. Seja para automatização dos canteiros de obras, para digitalização dos projetos ou comunicação entre os gestores.

Panorama do mercado

O setor de construção é um dos segmentos do mercado que mais são afetados pelas oscilações econômicas, por conta disso é conhecido como o termômetro da economia. Se o setor apresenta bom desempenho é sinal de que o país está em crescimento.

Porém, nos últimos anos, dentro do cenário global, o mercado de construção não tem apresentado bons resultados. E a falta de avanços tecnológicos no setor pode ser um dos motivos.

Fato que pode ser explicado, primeiramente, por ser uma área que naturalmente demanda pouca tecnologia e que possui poucos profissionais envolvidos diretamente com ferramentas digitais.

De acordo com um dos artigos publicados pela revista Harvard Business Review o setor de construção apresenta o segundo pior resultado em adoção de novas tecnologias em seus processos de negócios, ficando atrás apenas da agricultura.

Um dos fatores que explicam esse atraso pode estar relacionado aos gestores da área, porque, apesar de possuírem um conhecimento profundo sobre os processos, não enxergam como a utilização de tecnologias poderiam agregar valor ao negócio.

Em um report elaborado pela JB Knowledge, é possível verificar que no setor de construção civil, 46% das empresas de vários países do mundo gastaram menos de 1% das suas receitas totais com tecnologia.

Porém, é algo que pode até ser positivo para as empresas que desejam implementar tecnologia no setor, já que em decorrência da capacidade ociosa existente no mercado, ainda há muito espaço para crescimento, e os investimentos tendem a ter retornos mais rápidos do que aqueles feitos em setores que possuem estabilidade no mercado.

Com isso, as expectativas se tornam promissoras. Em um estudo realizado pelo McKinsey Global Institute, para manter o ritmo de crescimento projetado para o PIB, o investimento global em construção exigirá cerca de 57 trilhões de dólares até 2030.

E, apesar do setor ainda investir muito pouco em pesquisa e desenvolvimento, a taxa de investimento total nas Construtechs no mundo, entre 2010 e 2018, teve um crescimento de 7,4%, equivalente a US$8,5 bilhões.

Em um estudo realizado pela CB Insights podemos observar que vem sendo crescente o número de startups no setor que estão tendo sucesso em seus investimentos:

Construtech: Saiba como a Tecnologia está mudando a Construção Panorama do mercado
Fonte: CB Insights

Cenário Brasileiro

O Brasil apresenta bons resultados dentro do mercado do setor. Em um levantamento realizado pela Construtech Ventures foram mapeados mais de 500 startups voltadas a soluções tecnológicas na construção. Sendo que o investimento para o ano de 2019 foi de aproximadamente R$600 milhões, distribuídos em:

  • Projeto e viabilidade – 9%
  • Construção – 26%
  • Aquisição – 35%
  • Propriedade e uso – 30%

Os indicadores nacionais mostram que a atividade econômica do setor está em crescimento, o que traz consequências positivas para o mercado. Segundo resultados divulgados pela FGV, referente ao Índice de Confiança da Construção, em 2019, os indicadores chegaram a 84,7, sendo o maior nível desde janeiro de 2015.

Além de um levantamento realizado pelo IBGE, que tem como resultado um crescimento no setor de 2% no segundo trimestre de 2019, depois de 5 anos registrando quedas. E ainda de acordo com o instituto, o crescimento ajudou a estimular o PIB brasileiro.

Como é possível verificar, o setor da construção, apesar de lucrativo, sempre atua com pouca produtividade. Com o impulsionamento do setor nos últimos anos, talvez seja o momento certo para que novas tecnologias atuem para um crescimento sustentável.

Ecossistema

O ecossistema das Construtechs se desagregam em vários segmentos: Proptech, Contech, Retech e Greentech. Cada um desses termos corresponde a algo específico dentro do setor, seja referente ao mercado em que atua ou com as ferramentas que utilizam. Entre eles, dois segmentos possuem mais destaque:

Contech

O termo é usado para denominar as startups que são diretamente relacionadas ao ambiente de obras. Um exemplo é a PlanGrid, uma empresa que oferece um sistema de gestão de obras e equipes, e possibilita o acompanhamento da obra através de uma planta online.

Proptech

É a expressão usada para se referir às startups que atuam com tecnologias aplicadas a propriedade, ou seja, do produto gerado pela construção. Pode ser usado para representar o mercado imobiliário. Uma das principais startups nesse setor é a Airbnb uma plataforma que se tornou umas das principais opções de aluguéis temporários online.

Áreas estratégicas para implantação da tecnologia nas empresas

Segundo os estudos realizados pelo McKinsey, a oferta de tecnologia para a construção possui o foco em três áreas que são consideradas principais:

  1. Execução no local de obras
  2. Colaboração e mobilidade digital
  3. Back-office.

Saiba mais sobre cada uma abaixo:

1. Execução no local de obras

Algumas ferramentas podem ser utilizadas para a melhoria da gestão das obras e auxiliar na produtividade em campo, atuando no gerenciamento do tempo usado pela equipe na execução das obras ou na otimização dos recursos que são utilizados.

Por exemplo, algumas ferramentas monitoram a movimentação da equipe em tempo real, incluindo o número de horas de trabalho dos membros da equipe. Podem até mesmo rastrear os funcionários analisando dados de dispositivos portáteis.

Enquanto outras pedem que os trabalhadores insiram dados sobre suas atividades e localização, para um acompanhamento remoto das atividades executadas pela equipe.

Outras ferramentas que podem ser usadas envolvem a segurança durante as obras, muitas aplicações facilitam o rastreamento e a notificações de incidentes de seguranças nos locais de trabalho.

Construtech Saiba como a Tecnologia está mudando a Construção-Panorama do mercado-Execução no local de obras

2. Colaboração e mobilidade digital

Um dos motivos para o histórico fraco da produtividade do setor é que ele ainda depende de recursos não digitais para gerenciar seus processos e produtos. Devido a falta de digitalização, o compartilhamento de informações fica atrasado.

Os colaboradores de um projeto de construção geralmente são profissionais que não possuem um contato próximo, porém eles precisam estar sempre se comunicando para alinhar suas ideias.

Isso explica porque muitas startups, que iniciam o processo de implementação digital em uma empresa, promovem a digitalização dos processos. De acordo com o McKinsey, o investimento em colaboração digital e soluções de mobilidade atraiu quase 60% dos investimentos em tecnologia no setor em 2016.

Portanto, a promoção da colaboração online entre os diversos gestores que envolve uma obra, para que as informações sejam disseminadas de maneira mais ágil, pode ser uma aposta no mercado.

3. Back-office

A integração de back-office envolvendo funções como contabilidade, recursos humanos e financeiro, poderiam ajudar as empresas a manter um maior controle sobre seu orçamento, sobre os estoques e até mesmo sobre o quadro de funcionários.

No entanto, um dos desafios encontrados é porque as empresas não têm acesso a todas essas informações, geralmente elas são perdidas com o tempo. Porém, algumas ferramentas ajudam na captação e armazenamento desses dados relacionados a empresa.

É de extrema importância a integração de todos os dados administrativos, porque acelera as decisões a serem tomadas, bem como os processos burocráticos, a realização de orçamentos, contratos, etc.

As principais tendências tecnológicas do mercado

Agora confira quais são as novas tendências do mercado e como cada tecnologia pode atuar para o aumento da produtividade do setor.

Tecnologia mobile

Em uma entrevista realizada pela JB Knowledge, 55,3% dos entrevistados responderam que usam aplicativos móveis para foto ou vídeo nos locais de obras, seguidos de 53,6% que utilizam para relatórios diários, 46,5% que utilizam para o gerenciamento de tempo e 37,8% para gerenciamento de planos.

Diante desses resultados, é ruim que o gerenciamento de planos esteja em última colocação, pois deveria ser um dos principais pontos a serem utilizados pelos gestores para um melhor mapeamento do fluxo de trabalho.

Um dos motivos que existem para que ele seja pouco utilizado pode ser explicado pelo alto custo de adquirir um sistema que cumpra essa tarefa. Mas, atualmente, existem ferramentas simples para o auxílio dessas atividades.

Como, por exemplo, aplicativos que ajudam no gerenciamento e auxiliam os engenheiros e projetistas a se organizarem. Além de aplicações que documentam e ajudam no gerenciamento de prazos e tarefas, otimizando os custos e fazendo com que os planos de trabalho ocorram de forma mais organizada.

Monitoramento do projeto ativada por IA

Com o uso da inteligência artificial na construção, os processos podem se tornar mais eficientes, com que máquinas podem reconhecer eventos através de sensores, organizar relatórios com KPI’s e também ajudar no controle de ações corretivas.

Além da comodidade, a inteligência artificial permite a economia e mais segurança aos usuários. Com a implementação de sensores de movimentos, por exemplo, é possível instalar um sistema de iluminação automática do ambiente.

Um modelo de uso dessa tecnologia é o BusyBusy, um aplicativo que promove o acompanhamento real dos funcionários e dos equipamentos. A aplicação oferece a supervisão precisa do tempo e localiza os funcionários por GPS.

Construtech Saiba como a Tecnologia está mudando a Construção-Panorama do mercado-Monitoramento do projeto ativada por IA

Análise preditiva de dados

A produção de dados na construção civil é constante e essas informações impactam diretamente na tomada de decisão, na gestão e na redução de riscos. As novas empresas estão começando a se adaptar à utilização de análises de dados em tempo real ou armazenadas em nuvem.

Com o maior uso da digitalização no processo de planejamento da construção e no próprio canteiro de obras está permitindo que as empresas capturem dados que antes não conseguiam.

As estratégias obtidas com a adoção de análises avançadas em projetos de construção podem ajudar a melhorar a eficiência, prazos e gerenciamento de riscos.

Softwares para gerenciamento de projetos

O gerenciamento dos projetos é uma atividade que requer cuidado e atenção em seu monitoramento. Embora, cada projeto seja diferente, as ferramentas para sua execução é o mais novo alvo das novas empresas.

Em uma pesquisa realizada pela Software Advice, 94% dos participantes utilizam algum tipo de software no gerenciamento de projetos, com 61% usando softwares especializado, 25% usando software genérico de projetos e 8% usando soluções próprias.

O estudo ainda mostrou que os usuários que utilizam softwares genéricos parecem ser os menos satisfeitos com os resultados obtidos, sendo que apenas 18% das empresas nessa categoria afirmam que a ferramenta atende às suas necessidades.

Nesse sentido, é importante não só pensar na implementação de um software na sua empresa, mas se ele de fato atende as necessidades da equipe. Pois a utilização de ferramentas inapropriadas, podem acarretar em custos ainda maiores ou um atraso no desenvolvimento dos trabalhos.

Em uma entrevista a Forbes, John Jacobs CEO da JE Dunn, uma das maiores empresas de projetos de construção nos Estados Unidos disse que só foi possível alcançar tal posição através de parcerias com empresas de tecnologia para desenvolver ferramentas específicas para o setor.

Aqui está a questão principal – temos um processo complexo pelo qual passamos para construir um edifício. Precisamos acessar dados 2D e 3D, dados financeiros, dados corporativos, documentos, elementos de programação, clima – tudo isso precisa ser vinculado e é uma rede complexa.

BIM (Building Information Modeling)

O BIM é uma maneira eficiente de reunir todas as informações de uma construção de forma eficiente e organizada. Esse conjunto de informações é composto desde o modelo inicial da edificação até seu orçamento.

Além de integrar todos os dados em um único local, o seu uso facilita o compartilhamento do projeto entre os profissionais envolvidos, desde o engenheiro ao arquiteto.

A tecnologia BIM permite criar digitalmente modelos virtuais de uma construção, com uma visão mais detalhada sobre as informações, o que permite melhor análise e controle. Com o BIM também é possível integrar softwares de diferentes fabricantes para que eles possam se completar.

Como dito por Thiago Ricotta, arquiteto e urbanista com mestrado em gerenciamento de projetos, em entrevista ao Building:

A digitalização da construção possibilitada pelo BIM já provou que podemos ter resultados da ordem de 99%, 92% e 90% de precisão. Isso vale para custos, cronograma e auditoria de qualidade respectivamente. Com a digitalização e acesso dos projetos em dispositivos móveis, os engenheiros podem ganhar até 16% do seu tempo.

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Conteúdo sobre Construtech

Alguns sites realizam estudos sobre o setor da construção, trazendo dados sobre as tendências do mercado e, principalmente, assuntos voltados para a implementação da tecnologia no setor. Confira:

Conclusão

Como você pode perceber, as startups estão mudando a forma como as pessoas conduzem seus negócios e a maneira de se construir. Todas essas tendências indicam que os novos focos de investimento no setor devem se concentrar no aumento da produtividade em campo e no gerenciamento do desempenho do local.

Na pesquisa Global Construction Survey 2017, realizada pela KPMG, 95% dos participantes acreditam que as tecnologias disruptivas irão mudar o setor e 74% apontam que essa mudança será realizada em até 5 anos.

Esse é um incentivo massivo para os players da indústria da construção identificarem soluções para transformar a produtividade e a entrega de projetos por meio de novas tecnologias e práticas aprimoradas.

Se produtividade do setor de construção alcançar o da economia total, isso aumentaria o valor agregado do setor em cerca de US$1,6 trilhões, acrescentando em cerca de 2% a economia global, em análise feita pela McKinsey.

Portanto, as empresas que atuam no setor podem aumentar seu nível de eficiência adotando essas novas tecnologias, para otimizarem seus processos e aumentarem suas receitas.

Links Para Leitura

Eduarda Terra

Especialista de Marketing na GoBacklog, uma empresa especializada no desenvolvimento de soluções digitais que vem mudando a forma de se criar negócios digitais de sucesso. Estudante de Economia na UFJF.