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As pessoas desistem antes de fracassar.

Conte um pouco sobre você e sua trajetória profissional

Eu sou Valadarense, mas me formei em agronomia em Diamantina, MG. Estou finalizando uma pós em Engenharia de Segurança do Trabalho e, hoje em dia, tenho atuado um pouco mais na área de inovação.

Tenho um escritório de consultoria ambiental e trabalho com licenciamento ambiental e projetos de financiamento rurais. Eu também exerço um papel de agente de inovação, sendo líder de comunidade no Rio Doce Valley, a nossa comunidade de empreendedorismo, startup e inovação.

Através do Rio Doce Valley, nós tentamos levar às empresas um pouco do espírito empreendedor, não só para os gestores, mas também para os funcionários, os envolvendo no trabalho do negócio e criando um real sentimento de participação e de pertencimento àquele ambiente.

Para que o funcionário cresça é necessário que a empresa cresça, e isso é o mais importante. A comunidade precisa crescer para que aquele ambiente empresarial faça o mesmo, fortalecendo a cidade e o Rio Doce Valley como um todo, dando a oportunidade de todos avançarem juntos.

Você é um dos nomes que estão à frente do Startup Weekend regional. Qual a importância de se fomentar essa iniciativa e como ela contribui para a formação de novas ideias?

O Startup Weekend não é só um evento para formar startups, esse não é o propósito. São 54 horas de evento, uma imersão nesse ambiente de inovação. Dentro dele surgem novas soluções e novas ideias que podem ser desenvolvidas depois.

Mas a principal função do Startup Weekend é despertar o espírito empreendedor nas pessoas. Mostrar para elas que todos são capazes de fazer e de serem protagonistas da sua própria vida, do seu próprio negócio e, além disso, buscamos dar auxílio para que eles se desenvolvam.

Então, durante essas 54 horas, nós validamos as ideias, vemos se aquele problema realmente existe e fazemos a validação da solução no mercado, levando para as pessoas, fazendo entrevistas e mostrando o que seria aquela solução. Se for um site, uma plataforma ou algum protótipo, mostramos para os possíveis clientes. Além disso, ainda passa por uma banca avaliadora de profissionais que irão analisar se esse projeto pode ir para o mercado ou não, se o mercado irá aceitá-lo, como se fossem investidores.

Nós trazemos para a metodologia todo o conceito necessário para se trabalhar em uma startup e, saindo do evento, a pessoa pode utilizar esse método em qualquer outra ideia. Então, o Startup Weekend não fica focado somente naquele final de semana, tem o pós evento também, onde tentamos trabalhar essas ideias. Inclusive estamos com meetups mensais, que são encontros que fazemos em bares, para encontros mais descontraídos.

Nós acreditamos nesses momentos, é onde pegamos o diretor de uma empresa o estagiário de outra, o aluno de uma universidade e colocamos todos no mesmo lugar, no mesmo formato, todos conversando. Isso proporciona uma maior oportunidade e abertura, que não aconteceria se esse estagiário fosse naquela empresa ou se aquele estudante fosse conversar com o CEO de alguma startup.

O Startup Weekend proporciona esse ambiente aberto, onde pessoas podem conversar, se conhecerem e contribuem umas com as outras. Todos que estão lá na frente, que possuem uma empresa mais desenvolvida, já foram ajudados por alguém. Então, tentamos retribuir essa ajuda que a comunidade deu para gente, trazendo oportunidade para outras pessoas.

A inovação vem ganhando mais notoriedade no Brasil. Minas Gerais é o segundo maior polo de startups no país, concentrando 12% das empresas do segmento, de acordo com a ABStartups. Sabemos da sua participação ativa nesse cenário e, como agente de inovação estadual, como você enxerga a projeção desse conceito para os próximos anos?

O projeto Minas Digital, que o Estado desenvolveu, e que eu tive a oportunidade de participar, trouxe muitas oportunidades e visibilidade às cidades do interior, e eu realmente espero que este ano ele continue.

Através do projeto, profissionais das regiões interioranas foram levados para a capital, capacitadas e devolvidas para as suas comunidades, com o propósito de repassarem todos esses conhecimentos e as oportunidades que iam surgindo. Além disso, criou um aproximação das empresas com as universidades e com o governo. Essa junção foi muito importante para criar um cenário de crescimento em cada comunidade de Minas Gerais.

Muitas pessoas me perguntam se startup é uma nova modinha, porém, eu não acredito que seja. Realmente penso que esse mercado já está bem estruturado. Pode ser que as startups em si, se transformem e voltem a ser empresas mais tradicionais, porém a cultura de inovação vai permanecer.

Acesse essa pesquisa aqui: Minas Gerais é o segundo maior polo de Startups do Brasil

Segundo a Coworking Brasil, o mercado movimentou um valor estimado de 127 milhões só em 2017 e vem crescendo cada dia mais. Como essa tendência de mercado pode ajudar pequenos empreendedores e startups?

O coworking foi uma necessidade para mim em um momento. Eu precisava de mais atenção em meu trabalho, foco, e precisava de um espaço que não fosse tão formal, que não me obrigasse a estar lá de 8h às 18h.

A experiência do coworking é muito importante para desenvolver novas ideias, a partir dessa necessidade nós abrimos o nosso. Hoje, a Tatiana está a frente dele, eu não participo mais, mas foi uma experiência enriquecedora, onde eu pude aprender muito com as pessoas que passaram por lá, com as experiências e conexões que fizemos lá dentro.

Esse é o principal propósito, conectar pessoas dentro do mesmo espaço, pessoas de diferentes áreas. E deve existir um ambiente livre para imaginar e para trabalhar ideias. Esse é um propósito do nosso coworking, ser um lugar mais agradável e descontraído, que aguça essa criação de ideias.

Para quem está começando é excelente, porque você não tem uma quantidade de clientes que te justifique ter um espaço físico e pagar todas aquelas contas. E o coworking te oferece isso, disponibilizando o seu primeiro escritório, a fim de que você possa começar a criar sua carteira de clientes, e te dando a oportunidade de desenvolver sua condição financeira, podendo começar a criar seu próprio espaço.

Acesse essa pesquisa aqui: Censo Coworking Brasil 2018

Segundo a BCG, startups fundadas por mulheres costumam receber menos investimentos em relação a startups fundadas por homens. Em contrapartida, as startups de iniciativa feminina lucram bem mais. Como você avalia essa tendência e o que as mulheres empreendedoras devem fazer para adaptar-se com sucesso a esse cenário?

Esse é um problema que costumamos debater muito. Tem um grupo de mulheres de Minas, voltado para tecnologia e inovação, onde muitas falam que mulheres recebem e ganham menos e que investidores sentem medo de apostar em projetos femininos, talvez por não acreditarem nas nossas capacidade. Porém, isso é exatamente o contrário do que os números mostram.

Diante a isso, eu acredito que é uma luta contínua e que a tendência é surgirem mais negócios com mulheres à frente. Eu saio do coworking agora, mas estou indo para uma nova empreitada também, um novo projeto. Em breve iremos trabalhar em uma nova linha, com educação empreendedora e eventos voltados para empreendedorismo.

Usaremos isso para tentar aproximar mais mulheres do ambiente empreendedor. Buscaremos trazer mais homens também, mas principalmente mulheres, para trabalharem e estarem a frente do seu negócio.

Muitas mulheres têm medo, por exemplo, das vagas de emprego. Às vezes a pessoa não possui todos os requisitos requeridos, mas, se for um homem, ele não se sentirá inseguro para se inscrever.

A mulher, quando ela está nessa situação, ela não se inscreve, mesmo tendo capacidade para desenvolver todos essas qualificações que faltam, se ela tiver essa oportunidade de trabalho. Por isso, acredito que precisamos trazer essas mulheres para acreditarem em si.

Acesse essa pesquisa aqui: Startups de mulheres geram mais receita a longo prazo

Falando um pouco sobre a atuação das mulheres no mercado das startups, como você aconselharia mulheres que querem ter o próprio empreendimento?

Primeiro, sentir medo é normal, eu também fiquei apreensiva quando comecei. Sair de um emprego e uma renda fixa, para apostar em algo diferente, é difícil. No entanto, esse receio não pode existir.

Desde que eu me formei, fiquei somente um mês trabalhando para uma empresa e saí. Criei meu próprio empreendimento, continuei e não quero parar. Quero continuar abrindo novas empresas, novos negócios, porque é isso o que eu gosto de fazer, empreender.

Então, o medo existe, o receio existe, e o fracasso existe, mas o sucesso também. E muitas pessoas, desistem antes mesmo de fracassar. Por isso, devemos ter paciência e saber esperar esse prazo de aceitação e adaptação da empresa no mercado, pois vai ser de uma hora para outra que você vai alcançar o sucesso e que terá rendimento.

Algumas empresas precisam esperar 8 meses até conseguirem alcançar o seu ponto de equilíbrio. Portanto, é preciso aguardar, ser paciente, ter perseverança e não ter medo de arriscar. E, além de apostar nesse futuro, você deve entrar de cabeça no mercado, lembrando que existem muitas pessoas que podem te apoiar.

O próprio SEBRAE pode dar um suporte para a sua empresa e outros empreendimentos da comunidade também. Conheça o seu concorrente e quem pode colaborar com você, porque não fazemos nada sozinhos.

Temos que ter um time junto, isso é muito importante. Fez diferença para mim e faz muita diferença ter quem acredita no seu negócio. Na hora da dificuldade, são eles quem vão te ajudar a continuar andando.

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Ana Antunes

Especialista de Marketing na GoBacklog, uma empresa especializada no desenvolvimento de soluções digitais que vem mudando a forma de se criar negócios digitais de sucesso. Estudante de Economia na UFJF, apaixonada por inovação e tecnologia.
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